ADEQUAÇÃO AMBIENTAL DE PROPRIEDADE RURAL COM USO DE GEOTECNOLOGIAS: RECUPERAÇÃO DE ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE NO PA CASARÃO, NOVA IPIXUNA-PA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n4p113-133Palavras-chave:
Cadastro Ambiental Rural, Sensoriamento remoto, Nascente, Área de Preservação Permanente, Recomposição vegetalResumo
A adequação ambiental de imóveis rurais é indispensável para compatibilizar produção agropecuária e conservação dos recursos naturais em regiões amazônicas. Este artigo apresenta estudo de caso realizado no Sítio Três Irmãos, lote 93 do Projeto de Assentamento Casarão, em Nova Ipixuna, Pará, com foco no diagnóstico ambiental de uma propriedade rural e na proposição de diretrizes para recomposição de Área de Preservação Permanente associada a uma nascente e a um curso d’água. Foram utilizados dados do Cadastro Ambiental Rural, levantamento aerofotogramétrico com aeronave remotamente pilotada, ortomosaico de alta resolução, modelo digital de superfície, inspeção de campo e análise em SIG. Os resultados indicaram inconsistências no CAR, especialmente pela ausência de registro da APP hídrica, e predominância de pastagens, que representaram 94,39% da área mapeada. O remanescente de vegetação nativa ocupou apenas 2,40 ha, equivalente a 4,48% do lote, embora esteja associado a setor de maior altitude e provável recarga hídrica. Também foram identificados solo compactado e erosão linear próxima à nascente. Conclui-se que o uso integrado de drone e SIG permitiu diagnóstico espacial detalhado e subsidiou recomendações de isolamento, controle de erosão, manutenção da vegetação remanescente e plantio de espécies nativas.
Downloads
Referências
ABRAMOVAY, Ricardo. A Amazônia precisa de uma economia do conhecimento da natureza. São Paulo: Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental, Universidade de São Paulo, 2018.
BARBOSA, F. A. et al. Cenários para a pecuária de corte amazônica. Belo Horizonte: Editora IGC/UFMG, 2015.
BOTELHO, R. G. M. Planejamento ambiental em microbacia hidrográfica. In: GUERRA, A. J. T.; SILVA, A. S. da; BOTELHO, R. G. M. Erosão e conservação dos solos: conceitos, temas e aplicações. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014.
BRANCALION, P. H. S. et al. Análise crítica da Lei de Proteção da Vegetação Nativa (2012), que substituiu o antigo Código Florestal: atualizações e ações em curso. Natureza & Conservação, v. 14, p. e1-e16, 2016.
BRASIL. Lei n.º 12.651, de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa. Diário Oficial da União, Brasília, 2012.
GREEN, D. R.; HAGON, J. J.; GÓMEZ, C.; GREGORY, B. J. Using low-cost UAVs for environmental monitoring, mapping, and modelling: examples from the coastal zone. In: Coastal Management. Academic Press, 2019. p. 465-501.
GUERRA, A. J. T. et al. Erosão e conservação de solos no Brasil. Anuário do Instituto de Geociências, v. 37, n. 1, p. 81-91, 2014.
HÉBETTE, Jean. Cruzando a fronteira: 30 anos de estudo do campesinato na Amazônia. v. 3. Belém: Editora Universitária UFPA, 2004.
HSIN-FU, Y. et al. Mapping groundwater recharge potential zone using a GIS approach in Hualian River, Taiwan. Sustainable Environment Research, v. 26, n. 1, p. 33-43, 2016.
INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Plano de recuperação do Projeto de Assentamento Casarão. Copserviços, 2009.
INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Relação de beneficiários do Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA). 2021.
LEHFELD, L. de S.; CARVALHO, N. C. B. de; BALBIM, L. N. Código Florestal comentado e anotado: artigo por artigo. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2013.
LIMA, A. História do município: Nova Ipixuna, a saga de um povo guerreiro. 2016.
LOCALMAQ Engenharia. Estudo de identificação de áreas de recarga de lençol freático. Corinto-MG, 2018.
MACEDO, J. R. Erosão em pastagens. Portal Dia de Campo. Embrapa Solos, 2011.
MARGARIT, E. O processo de ocupação do espaço ao longo da BR-163: uma leitura a partir do planejamento regional estratégico da Amazônia durante o governo militar. Geografia em Questão, v. 6, n. 1, 2013.
MARTINS, S. V. Recuperação de áreas degradadas: ações em áreas de preservação permanente, voçorocas, taludes rodoviários e de mineração. Viçosa: Aprenda Fácil, 2009.
PEREIRA, D. G. D. S. P. et al. Área de Preservação Permanente e Reserva Legal: estudo de caso na bacia do córrego Bebedouro. Ambiente & Sociedade, v. 20, n. 1, p. 105-126, 2017.
PIERONI, J. P.; BRANCO, K. G. R.; FERREIRA, G. C. Avaliação do estado de conservação de nascentes em microbacias hidrográficas. Geociências, v. 38, n. 1, p. 185-193, 2019.
PRUDKIN, G.; BREUNIG, F. M. Drones e ciência: teoria e aplicações metodológicas. Santa Maria: FACOS-UFSM, 2019.
QUARTAROLI, C. F.; VICENTE, L. E.; ARAÚJO, L. S. D. Sensoriamento remoto. In: TOSTO, S. G. et al. Geotecnologias e geoinformação: o produtor pergunta, a Embrapa responde. Brasília: Embrapa, 2014.
RAMOS, M. C. O desenvolvimento econômico na Amazônia Legal: seus impactos sociais, ambientais e climáticos e as perspectivas para a região. Cadernos do Programa de Pós-Graduação em Direito, v. 9, n. 1, 2014.
RIVERO, S.; ALMEIDA, O.; ÁVILA, S.; OLIVEIRA, W. Pecuária e desmatamento: uma análise das principais causas diretas do desmatamento na Amazônia. Nova Economia, v. 19, n. 1, p. 41-66, 2009.
RODRIGUES, C. A. G.; FURTADO, A. L. D. S.; TOSTO, S. G. Adequação ambiental rural. In: TOSTO, S. G. et al. Geotecnologias e geoinformação: o produtor pergunta, a Embrapa responde. Brasília: Embrapa, 2014.
SANTOS, V. M. dos. A economia do sudeste paraense: fronteira de expansão na periferia brasileira. 2011. Tese (Doutorado em Economia) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2011.
SUDEME - Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia. Estudo de Impacto Ambiental: Ferrovia Paraense S.A. Volume IX. Diagnóstico ambiental - meio socioeconômico. 2017.
WWF-BRASIL. Nascentes do Brasil: estratégias para a proteção de cabeceiras em bacias hidrográficas. São Paulo: Imprensa Oficial, 2007.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Sângela Cruz Morais, Fernando Alves Barros Firmino, Joari Oliveira Procópio

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Você tem o direito de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
- Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
- O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
- Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado , prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas . Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.