Reflexos Primitivos Retidos como Biomarcadores de Gravidade na Paralisia Cerebral por Síndrome Congênita do Zika Virus
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n4p1046-1061Palavras-chave:
Zika Virus, Paralisia Cerebral, Reflexos Primitivos, Desenvolvimento infantilResumo
Objetivo: Analisar a literatura especializada sobre o papel dos reflexos primitivos retidos (RPRs) em crianças com paralisia cerebral (PC) decorrente da Síndrome Congênita do Zika Vírus (SCZV). Metodologia: Revisão de escopo conduzida segundo as diretrizes do Joanna Briggs Institute (JBI) e PRISMA-ScR. A busca foi realizada em dezembro de 2025 em nove bases de dados, utilizando uma estratégia de busca alinhada ao acrônimo PCC (População, Conceito e Contexto). Foram incluídos estudos de literatura branca e cinzenta publicados em qualquer idioma e recorte temporal. Resultados: Foram selecionados 10 estudos publicados entre 2016 e 2025 que abordaram a prevalência e o impacto funcional dos reflexos primitivos na SCZV. A análise evidenciou prevalência de RPRs entre 85% e 100% nos pacientes estudados. Os reflexos de Moro, Tônico Cervical Assimétrico (RTCA) e Tônico Labiríntico (RTL) foram identificados como "assinaturas motoras" da síndrome. Observou-se uma correlação direta entre a alta "carga reflexa" e a gravidade motora, com a vasta maioria das crianças (82,9% a 95,8%) classificada no nível V do GMFCS. Os RPRs manifestam-se mesmo em pacientes normocefálicos, servindo como biomarcadores de danos estruturais subjacentes, como calcificações subcorticais. Conclusão: A persistência de múltiplos reflexos primitivos é um preditor de baixa funcionalidade e prognóstico motor reservado na SCZV. Identificou-se uma lacuna terapêutica, indicando que abordagens convencionais focadas na periferia muscular são insuficientes. Sugere-se que intervenções baseadas na integração neuro-sensoriomotora, como o Blomberg Rhythmic Movement Training (BRMT), podem oferecer caminhos para otimizar a neuroplasticidade e a autonomia funcional dessas crianças.
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