NECESSIDADE, COERÇÃO E DIGNIDADE: A VULNERABILIDADE SOCIAL E OS LIMITES DA LIBERDADE NAS RELAÇÕES DE TRABALHO DO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n5p189-206Palavras-chave:
Trabalho. Vulnerabilidade social. Precarização. Liberdade. Dignidade.Resumo
Este ensaio teórico examina como a vulnerabilidade social condiciona as relações de trabalho no capitalismo contemporâneo, convertendo a liberdade contratual formal em margem de escolha frequentemente reduzida pela necessidade material. O objetivo é analisar criticamente a tensão entre a igualdade jurídica que funda o contrato de trabalho e a assimetria de poder produzida pela pobreza, pelo desemprego, pela informalidade e pela ausência de proteção social. A abordagem é de natureza teórico-reflexiva e bibliográfica, sem pretensão de revisão sistemática, articulando contribuições da sociologia do trabalho, da filosofia social, da economia política e do debate sobre direitos sociais. Discutem-se a ambivalência constitutiva do trabalho, a produção histórica e social da vulnerabilidade, os limites da noção de escolha livre, as formas contemporâneas de precarização e as dimensões subjetivas do sofrimento e do reconhecimento. Sustenta-se que a vulnerabilidade não é atributo individual, mas relação social produzida por estruturas econômicas e políticas, e que a dignidade laboral exige mais do que ocupação formal, supondo proteção, segurança, reconhecimento e possibilidade efetiva de recusa a condições indignas. Conclui-se que a ampliação da liberdade real dos trabalhadores depende de respostas institucionais que ultrapassem soluções individualizantes, recolocando o trabalho no horizonte da justiça social e da cidadania democrática.
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