Brucelose bovina e saúde do trabalhador em Minas Gerais: modelagem SIR e estimativa de risco ocupacional

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n5p701-723

Palabras clave:

zoonoticos, brucelose, brucella, equinos, equídeos, Modelagem Matemática, Saúde ocupacional

Resumen

A brucelose bovina é uma zoonose endêmica no Brasil com impacto direto sobre a saúde de trabalhadores rurais e agroindustriais. Este trabalho busca modelar a dinâmica de transmissão da brucelose bovina em Minas Gerais e estimar o risco ocupacional humano associado. Foram utilizados dados secundários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, do Instituto Mineiro de Agropecuária e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação referentes a 2023. A transmissão no rebanho foi simulada por meio de um modelo compartimental SIR (Susceptíveis–Infectados–Removidos), calibrado com parâmetros da literatura nacional recente (β = 1,5 × 10⁻⁷ dia⁻¹; γ = 0,04 dia⁻¹). Aplicou-se uma equação proporcional para estimar a probabilidade de infecção humana sob diferentes níveis de exposição ocupacional.. Com cobertura vacinal de 77,5 % e um contingente de aproximadamente 5,06 milhões de bovinos suscetíveis, o modelo indicou número reprodutivo basal elevado (R₀ ≈ 19) e prevalência máxima de infectados de 17,8 % no pico da curva epidêmica (dia 26), revelando que a cobertura vacinal vigente está distante do limiar teórico necessário para impedir a circulação do agente no rebanho (≈ 98,8 %). A probabilidade de infecção humana estimada pelo modelo proporcional foi da ordem de 10⁻⁹ nos cenários de exposição ocupacional avaliados, valor que contrasta fortemente com achados empíricos da literatura — que descrevem odds ratios de até 3,47 entre trabalhadores expostos e prevalências sorológicas de até 6,9 % em populações ocupacionais de alto risco —, evidenciando que o modelo proporcional simplificado tende a subestimar substancialmente o risco real. A modelagem SIR constitui ferramenta útil para subsidiar decisões em saúde pública, mas sua aplicação à estimativa de risco humano deve ser interpretada com cautela e sempre triangulada com vigilância sorológica ativa, sobretudo à luz do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Brucelose Humana que reforça a abordagem One Health na articulação entre saúde animal, saúde do trabalhador e vigilância epidemiológica em Minas Gerais.

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Citas

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria SECTICS/MS nº 22, de 12 de maio de 2025. Torna pública a decisão de aprovar, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Brucelose Humana. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 maio 2025.

BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN. Casos de brucelose humana no Brasil, 2018–2023. Brasília, DF: Secretaria de Vigilância em Saúde, 2025.

COSTA, A. C. T. R. B. et al. Spatiotemporal analysis of the bovine brucellosis vaccination rate in Minas Gerais, Brazil, from 2011 to 2022. Frontiers in Veterinary Science, v. 12, p. 1–12, 2025. DOI: https://doi.org/10.3389/fvets.2025.1478923.

COSTA, M. M. et al. Seroprevalence of bovine brucellosis in Brazil: a systematic review and meta-analysis. [Periódico não especificado na versão original], 2024.

DADAR, M. et al. Human brucellosis and associated risk factors in the Middle East: a meta-analysis and systematic review. One Health, v. 17, p. 100434, 2024. DOI: https://doi.org/10.1016/j.onehlt.2024.100434.

DAGNAW, G. G. et al. Human and animal brucellosis and risk factors for human brucellosis: a systematic review and meta-analysis. BMC Public Health, v. 24, n. 1, p. 1–11, 2024. DOI: https://doi.org/10.1186/s12889-024-21042-2.

FERREIRA NETO, J. S. et al. Prevalence and risk factors for bovine brucellosis in Brazil: a sectional study in Pará. Tropical Animal Health and Production, v. 55, p. 225, 2025. DOI: https://doi.org/10.1007/s11250-025-04530-4.

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa da Pecuária Municipal – PPM 2023. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://www.ibge.gov.br. Acesso em: 20 jan. 2025.

IMA – INSTITUTO MINEIRO DE AGROPECUÁRIA. Relatório técnico de cobertura vacinal contra brucelose bovina em Minas Gerais. Belo Horizonte: IMA, 2024.

KERMACK, W. O.; MCKENDRICK, A. G. A contribution to the mathematical theory of epidemics. Proceedings of the Royal Society A, v. 115, p. 700–721, 1927.

LIMA, T. A. S. et al. Mathematical modeling of bovine brucellosis transmission and vaccination strategies in Brazil. Veterinary Research Communications, v. 47, n. 3, p. 1181–1193, 2023. DOI: https://doi.org/10.1007/s11259-023-10023-z.

MOURA, G. F. et al. Human brucellosis as an occupational disease in Brazil: a systematic review (2015–2021). Revista Panamericana de Salud Pública, v. 46, e102, 2022. DOI: https://doi.org/10.26633/RPSP.2022.102.

NASCIMENTO, M. S. et al. Epidemiological profile and economic impact of bovine brucellosis in Brazil: an update. Tropical Animal Health and Production, v. 55, n. 9, 2023. DOI: https://doi.org/10.1007/s11250-023-03545-0.

PEREIRA, C. R. et al. Occupational exposure to Brucella spp.: a systematic review. PLoS Neglected Tropical Diseases, v. 14, n. 10, e0008164, 2020. DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pntd.0008164.

PEREIRA, G. C. et al. Occupational exposure and risk factors for human brucellosis in agricultural workers: a quantitative assessment. PLoS Neglected Tropical Diseases, v. 17, n. 4, e0011897, 2023. DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pntd.0011897.

ROCHA, I. D. S. et al. Distribution, seroprevalence and risk factors for bovine brucellosis in Brazil: official data, systematic review and meta-analysis. Revista Argentina de Microbiología, v. 56, n. 2, p. 153–164, 2024. DOI: https://doi.org/10.1016/j.ram.2023.08.002.

SANTOS, A. L.; OLIVEIRA, E. J.; MARTINS, R. F. Brucellosis in livestock and humans: persistence, risks, and prevention in occupational settings. One Health, v. 13, p. 100334, 2021. DOI: https://doi.org/10.1016/j.onehlt.2021.100334.

SILVA, J. D. et al. Seroprevalence and risk factors of human brucellosis among slaughterhouse workers in Northeastern Brazil. BMC Infectious Diseases, v. 24, p. 203, 2024. DOI: https://doi.org/10.1186/s12879-024-09377-4.

VIVES-SOTO, M. et al. What risk do Brucella vaccines pose to humans? A review. Vaccines, v. 12, n. 4, 2024. DOI: https://doi.org/10.3390/vaccines12040702.

ZINSSTAG, J. et al. One Health modeling of zoonotic brucellosis transmission in cattle and humans. Frontiers in Public Health, v. 9, p. 773–782, 2021. DOI: https://doi.org/10.3389/fpubh.2021.773782.

Publicado

2026-07-16

Cómo citar

SILVA BARBOSA, Grace; BALIEIRO COSME, Luciana; JOSÉ DE OLIVEIRA JÚNIOR, Evandro; AURÉLIO LEITE NETO, Marcos. Brucelose bovina e saúde do trabalhador em Minas Gerais: modelagem SIR e estimativa de risco ocupacional. Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, Macapá, Brasil, v. 5, n. 5, p. 701–723, 2026. DOI: 10.36557/2674-9432.2026v5n5p701-723. Disponível em: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/1317. Acesso em: 17 ago. 2026.