O CORPO JÁ NÃO ANUNCIA: metamorfoses históricas, biomedicals e sociais da composição corporal de pessoas vivendo com HIV
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n6p295-318Palavras-chave:
HIV; Biopolítica; Corpo; Estigma; Terapia Antirretroviral.Resumo
RESUMO: Ao longo de mais de quatro décadas, as representações do corpo das pessoas vivendo com HIV passaram por profundas transformações, acompanhando os avanços biomédicos, terapêuticos e socioculturais da epidemia. Este estudo tem como objetivo analisar, em perspectiva histórico-comparativa e sob a ótica da biopolítica, as mudanças nos padrões corporais e nas representações sociais associadas ao HIV, desde os primeiros anos da epidemia até a contemporaneidade. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, fundamentada em revisão narrativa da literatura e em análise histórico-discursiva, articulando contribuições da saúde coletiva, da biopolítica e dos estudos sociais do corpo. A investigação identifica três configurações históricas predominantes: o corpo consumptivo, marcado pela deterioração física e pela associação entre HIV e morte; o corpo medicalizado, caracterizado pelas alterações morfológicas decorrentes dos primeiros esquemas antirretrovirais, especialmente a lipodistrofia; e o corpo contemporâneo, cuja aparência frequentemente não revela a condição sorológica, resultado da eficácia terapêutica, da supressão viral e do envelhecimento com qualidade de vida. Os resultados evidenciam que as transformações corporais transcendem a dimensão biológica, refletindo mudanças nas formas de gestão da vida, nos dispositivos biomédicos de controle, nas políticas públicas e nos processos de estigmatização e reconhecimento social. Conclui-se que o corpo das pessoas vivendo com HIV constitui uma construção histórica e biopolítica, continuamente ressignificada pelas relações entre ciência, poder, direitos e subjetividade, exigindo abordagens que integrem os avanços biomédicos à promoção da dignidade, da cidadania e da redução do estigma.
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