PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO, SOROTIPOS E CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA DA DENGUE NO ESTADO DE GOIÁS, BRASIL, 2015–2024

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n7p117-132

Palavras-chave:

Dengue, Epidemiologia, Perfil de saúde, Vigilância em Saúde Pública

Resumo

Introdução: A dengue representa um grave desafio de saúde pública no Brasil, caracterizando-se por recorrentes surtos epidêmicos influenciados por fatores socioambientais. Objetivos: Analisar o perfil epidemiológico, sociodemográfico e clínico dos casos de dengue notificados no Estado de Goiás de 2015 a 2024. Material e Métodos: Estudo epidemiológico observacional e descritivo, do tipo série temporal ecológica, utilizando dados do SINAN-DATASUS. Foram analisados casos confirmados de dengue em residentes de Goiás, totalizando uma amostra final de 1.116.225 notificações. Associações estatísticas foram avaliadas pelo teste qui-quadrado de Pearson (p < 0,05). Resultados: A série histórica demonstrou comportamento cíclico com pico epidêmico crítico em 2024 (taxa de incidência de 4.401,3 casos por 100 mil habitantes), sob predominância de circulação dos sorotipos DENV-1 (3.307 identificados) e DENV-2 (5.077 identificados). Os casos acometeram majoritariamente o sexo feminino (55%), adultos jovens de 20 a 39 anos e indivíduos autodeclarados pardos (mais de 48%). Constatou-se associação estatística significativa (p < 0,001) entre o retardo na notificação (maior ou igual a 6 dias do início dos sintomas) e a progressão para a forma grave da 2 doença (43,4% dos casos graves), a qual exigiu elevada taxa de hospitalização (73,9%) e apresentou alta letalidade pelo agravo (45,7%). Manifestações clínicas de gravidade, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e hipotensão, atuaram como importantes marcadores preditivos (p < 0,001). Conclusão: A dinâmica da dengue em Goiás é marcada por ciclos epidêmicos intensos e a progressão clínica grave está intrinsecamente ligada ao retardo na assistência à saúde. Torna-se indispensável fortalecer políticas de vigilância oportuna e incentivar a busca rápida por assistência médica para mitigação da morbimortalidade no estado.  

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Alessandro Cunha da Silva, Universidade estadual de Goiás

Graduando em Enfermagem pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). Câmpus Ceres. Ceres, Goiás, Brasil. 

Carlos André dos Santos

Graduando em Enfermagem pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). Câmpus Ceres. Ceres, Goiás, Brasil. 

Emilly Martins Gomides

Graduanda em Enfermagem pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). Câmpus Ceres. Ceres, Goiás, Brasil. 

Jordana Moura Pelegrine

Graduanda em Enfermagem pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). Câmpus Ceres. Ceres, Goiás, Brasil. 

Lázaro Furtado Carrilho Neto

Graduando em Enfermagem pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). Câmpus Ceres. Ceres, Goiás, Brasil. 

Tatiane dos Santos Paulinelli Raposo

Graduanda em Enfermagem pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). Câmpus Ceres. Ceres, Goiás, Brasil. 

Toniel Farias da Silva Junior

Graduando em Enfermagem pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). Câmpus Ceres. Ceres, Goiás, Brasil. 

Gabriel Silva Vieira

Discente do Curso de Medicina – Universidade de Rio Verde (UniRV). Rio Verde, Goiás, Brasil. 

Aline de Cassia Oliveira Castro

Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Goiás (2003).  

Mestra em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Goiás (2012).  

Docente da faculdade Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC Goiás. Goiânia, Goiás, Brasil. 

Benigno Alberto Moraes da Rocha

Graduado em Ciências Biológicas – Modalidade Médica (Biomedicina) pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2001).  

Mestre em Medicina Tropical e Saúde Pública com ênfase em Epidemiologia pela Universidade Federal de Goiás (2008).  

Doutor em Medicina Tropical e Saúde Pública com ênfase em Epidemiologia pela Universidade Federal de Goiás (2015).  

Docente do Curso de Enfermagem pela Universidade Estadual de Goiás – UEG. Câmpus Ceres. Ceres, Goiás, Brasil. 

Referências

AJLAN, B. A. et al. Clinical manifestations and outcomes of dengue in the elderly: A retrospective study at a tertiary care hospital in Riyadh, Saudi Arabia. Journal of Infection and Public Health, v. 12, n. 3, p. 399–403, 2019.

GUZMAN, M. G. et al. Dengue: a continuing global threat. Nature Reviews Microbiology, v. 14, n. 2, p. 123–131, 2016.

IANI, M. A. et al. Características clínicas e laboratoriais em pacientes com dengue grave internados em hospital terciário. Revista de Saúde Pública, v. 58, e20240852, 2024.

LOPES, A. S. et al. Influência de fatores socioambientais na incidência de dengue em municípios do Centro-Oeste do Brasil. Cadernos de Saúde Pública, v. 36, n. 9, e00205019, 2020.

ONEDA, R. M. et al. Epidemiological profile of dengue in Brazil between the years 2014 and 2019. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 67, n. 9, p. 1231–1237, 2021.

QIAO, L. et al. Global distribution and health impact of infectious disease outbreaks, 1996–2023: a worldwide retrospective analysis of World Health Organization emergency event reports. Journal of Global Health, v. 15, 04151, 2025.

SANTOS, J. C. et al. Determinantes sociais e ambientais da dengue: uma revisão narrativa. Saúde e Sociedade, v. 30, n. 1, e200321, 2021.

SILVA, L. M. et al. Aspectos clínicos e evolução de pacientes com dengue hospitalizados em unidades de terapia intensiva. Jornal Brasileiro de Doenças Infecciosas, v. 28, e025214, 2024.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Dengue and severe dengue. Geneva: WHO, 2015. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/dengue-and-severe-dengue. Acesso em: 13 ago. 2026.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Dengue – Region of the Americas – Disease Outbreak News. Geneva: WHO, 2024. Disponível em: https://www.who.int/emergencies/disease-outbreak-news/item/2024-DON518. Acesso em: 13 ago. 2026.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global Arbovirus Initiative: 2023 update. Geneva: WHO, 2024. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240080539. Acesso em: 13 ago. 2026.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global Strategy for Dengue Prevention and Control, 2021–2025. Geneva: WHO, 2025. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240058705. Acesso em: 13 ago. 2026.

Downloads

Publicado

2026-09-02

Como Citar

DA SILVA, Alessandro Cunha et al. PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO, SOROTIPOS E CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA DA DENGUE NO ESTADO DE GOIÁS, BRASIL, 2015–2024 . Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, Macapá, Brasil, v. 5, n. 7, p. 117–132, 2026. DOI: 10.36557/2674-9432.2026v5n7p117-132. Disponível em: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/1443. Acesso em: 4 set. 2026.