USO DO REPOUSO E DA ATIVIDADE FUNCIONAL NO TRATAMENTO DA NEURITE HANSÊNICA EM PACIENTES COM HANSENÍASE: UMA REVISÃO DE ESCOPO
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n7p400-424Palavras-chave:
Hanseníase, Neurite, Fisioterapia, Reabilitação, repouso, Atividade FísicaResumo
Objetivo: Investigar as evidências disponíveis sobre o uso do repouso e da atividade funcional no manejo da neurite hansênica e seu impacto nos desfechos funcionais e na reabilitação. Materiais e Métodos: Foi realizada uma revisão de escopo seguindo a metodologia do Joanna Briggs Institute (JBI). Foram pesquisadas bases de dados nacionais e internacionais em busca de estudos que abordassem repouso, imobilização, atividade funcional, exercícios terapêuticos e intervenções fisioterapêuticas para a neurite hansênica. Os estudos elegíveis foram sintetizados por meio de análise temática. Resultados: Foram incluídos dez estudos publicados entre 1952 e 2025. O repouso e a proteção neural durante a fase aguda, geralmente associados ao uso de corticosteroides e órteses, foram consistentemente recomendados. Evidências mais recentes desaconselham a imobilização prolongada devido aos seus efeitos musculoesqueléticos adversos. Nas fases pós-aguda e crônica, exercícios terapêuticos, mobilização neural e atividade funcional supervisionada foram associados à redução da dor, à preservação da amplitude de movimento e à melhora da força muscular. Entretanto, as evidências permanecem heterogêneas e não há protocolos padronizados. Conclusões: O repouso é essencial durante a fase aguda da neurite hansênica, enquanto a imobilização prolongada deve ser evitada. A atividade funcional controlada e os exercícios terapêuticos podem favorecer a recuperação funcional. São necessários estudos de alta qualidade para estabelecer protocolos de reabilitação baseados em evidências
Downloads
Referências
1. Ridley DS, Jopling WH. Classification of leprosy according to immunity. Int J Lepr Other Mycobact Dis. 1966;34(3):255-73.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas da hanseníase. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2022.
3. World Health Organization. Global leprosy (Hansen disease) update, 2024: Beyond zero cases – what elimination of leprosy really means. Weekly Epidemiological Record. Geneva: WHO; 2025.
4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Boletim Epidemiológico de Hanseníase — Número Especial. Brasília: Ministério da Saúde; jan. 2026.
5. Garbino JA. Neuropatia hansênica: aspectos fisiopatológicos, clínicos, dano neural e regeneração. In: Opromolla DVA, editor. Noções de hansenologia. Bauru: Centro de Estudos Dr. Reynaldo Quagliato; 2000. p. 79-89.
6. Job CK. Pathology and pathogenesis of leprous neuritis. Int J Lepr Other Mycobact Dis. 2001;69(2):19-27.
7. Costa HB, et al. Assessment of the Degree of Neurofunctional Disability in Leprosy Patients in a Municipality in Bahia, Brazil. Medicina (Ribeirão Preto). 2024;57(1):e-211539.
8. Pearson JMH, Weddell G. Changes in sensory acuity following radial nerve biopsy particularly in leprosy. Brain. 1971;94(1):43-50.
9. Mehta H, et al. Leprosy reactions: New knowledge on pathophysiology, diagnosis, treatment and prevention. Indian Journal of Dermatology, Venereology and Leprology. 2025;91(4):470–481.
10. Pimentel MIF, Nery JAC, Borges E, Gonçalves RR, Sarno EN. O exame neurológico inicial na hanseníase multibacilar. An Bras Dermatol. 2003;78(5):561-8.
11. Spitz CN, et al. Case report: Injected corticosteroids for treating leprosy isolated neuritis. Frontiers in Medicine. 2023;10:e1202108.
12. World Health Organization. Leprosy/Hansen disease: management of reactions and prevention of disabilities. Geneva: WHO; 2020.
13. Ebenezer GJ, Scollard DM. Treatment and rehabilitation considerations for neuropathy and nerve damage in leprosy. Clin Dermatol. 2021;39(2):213-21.
14. Kisner C, Colby LA. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 6. ed. Barueri: Manole; 2016.
15. DeLisa JA. Medicina física e reabilitação: princípios e prática. 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2010.
16. Mold JW, Vesely SK, Keyl BA, Schenk JB, Roberts M. Peripheral neuropathy and functional decline in older adults. J Am Geriatr Soc. 2016;64(1):172-9.
17. Nardelli MS, Roman EP. Será possível a atividade beneficiar pessoas portadoras de hanseníase? Thêma et Scientia. 2011;1(1):1-8.
18. Peters MDJ, Godfrey C, McInerney P, Munn Z, Tricco AC, Khalil H. Chapter 11: Scoping reviews. In: Aromataris E, Munn Z, editors. JBI Manual for Evidence Synthesis. Adelaide: JBI; 2020.
19. Pérez de Urrutia AL. Manual de rehabilitación en lepra. Asunción: Programa Nacional de Control de la Lepra; Hospital Mennonita; 2016.
20. World Health Organization. International Classification of Functioning, Disability and Health (ICF). Geneva: WHO; 2001.
21. Caspersen CJ, Powell KE, Christenson GM. Physical activity, exercise, and physical fitness: definitions and distinctions for health-related research. Public Health Rep. 1985;100(2):126-31.
22. Tricco AC, Lillie E, Zarin W, et al. PRISMA Extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR): Checklist and Explanation. Ann Intern Med. 2018;169(7):467-473.
23. Aromataris E, Munn Z, editors. JBI Manual for Evidence Synthesis. Adelaide: JBI; 2020.
24. Laughlin EM. Physical therapy in leprosy. Public Health Rep. 1952;67(3):267-71.
25. Furness MA. Physiotherapy in leprosy. Lepr Rev. 1982;53(1):45-57.
26. Almeida JA, Almeida SN. Tratamento fisioterápico da neurite hansênica. In: Duerksen E, Virmond M, editores. Cirurgia reparadora e reabilitação em hanseníase. Bauru: ALM International; 1997. p. 119-21.
27. Flageul B. La neuropathie lépreuse. Ann Dermatol Venereol. 2012;139(3):225-32.
28. Theuvenet WJ, Roche PW, Groenen G, et al. Meralgia paraesthetica in leprosy. Lepr Rev. 1993;64(3):223-8.
29. Barghavi V, Sharma R, Singh P, et al. Neuromuscular manifestations of leprosy and update on treatment. Curr Treat Options Neurol. 2025;27(1):28.
30. Véras LST, Vale RG, Mello DB, Castro APCR, Lima V. Avaliação do efeito da mobilização neural sobre a dor em pacientes com hanseníase: ensaio clínico randomizado. Rev Bras Fisioter. 2011;15(1):35-42.
31. Lima GM, Miranda MGR, Ferreira TCR. Ação do exercício terapêutico nas neurites crônicas de membros superiores em pacientes com hanseníase. Hansen Int. 2009;34(1):7-14.
32. Kilroe SP, Fulford J, Jackman SR, van Loon LJC, Wall BT. Temporal muscle-specific disuse atrophy during one week of leg immobilization. Med Sci Sports Exerc. 2020;52(4):944-54.
33. Ferrando AA, Lane HW, Stuart CA, Davis-Street J, Wolfe RR. Prolonged bed rest decreases skeletal muscle and whole body protein synthesis. Am J Physiol Endocrinol Metab. 1996;270(4):E627-E633.
34. Brower RG. Consequences of bed rest. Crit Care Med. 2009;37(10 Suppl):S422-S428.
35. Sarhane KA, Tuffaha SH, Broyles JM, et al. Treadmill exercise induced functional recovery after peripheral nerve repair is associated with increased levels of neurotrophic factors. PLoS One. 2014;9(3):e90245.
36. Ferrando AA, Tipton KD, Bamman MM, Wolfe RR. Resistance exercise maintains skeletal muscle protein synthesis during bed rest. J Appl Physiol. 1997;82(3):807-10.
37. Lundborg G. Nerve injury and repair. 2nd ed. London: Elsevier Churchill Livingstone; 2004.
38. Chiaramonte R, Vecchio M, Bonfiglio M, et al. The role of physical exercise and rehabilitative implications in the process of nerve repair in peripheral neuropathies: a systematic review. Diagnostics (Basel). 2023;13(3):364.
39. Shacklock M. Clinical neurodynamics: a new system of musculoskeletal treatment. London: Elsevier Butterworth-Heinemann; 2005.
40. Basson A, Olivier B, Ellis R, Coppieters MW, Stewart A, Mudzi W. The effectiveness of neural mobilization for neuromusculoskeletal conditions: a systematic review and meta-analysis. J Orthop Sports Phys Ther. 2017;47(9):593-615.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Brenda Ramos Lola, Ana Paula Monteiro de Araújo, Linda La Hoya Alves Chichester, Luisa Rodrigues Santos, Ana Luisa Mendes dos Reis, Givago da Silva Souza, Marília Brasil Xavier

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Você tem o direito de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
- Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
- O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
- Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado , prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas . Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.