ENTRE O SABER E O SENTIR: PERCEPÇÃO DE MULHERES AUGUSTINOPOLINAS SOBRE VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA NA EXPERIÊNCIA DO PARTO
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n7p647-668Palavras-chave:
Direitos Sexuais e Reprodutivos, Parto humanizado, Saúde da Mulher, Violência Obstétrica.Resumo
Introdução:Apesar da existência de legislações e diretrizes que asseguram o direito a um parto digno e humanizado, a assistência obstétrica ainda apresenta práticas desumanizadas, medicalização excessiva e supressão da autonomia feminina. Objetivos: Analisar as percepções de mulheres do município de Augustinópolis-TO sobre a violência obstétrica na experiência do parto, identificando as formas de violência ocorridas e sua relação com fatores sociodemográficos e assistenciais. Metodologia: Estudo observacional, transversal e quantitativo, realizado nas Unidades Básicas de Saúde da Família de Augustinópolis-TO. A amostra por conveniência foi constituída por 60 mulheres com histórico de parto entre 2020 e março de 2026. Utilizou-se o Questionário de Identificação de Violência Obstétrica, adaptado de Souto (2020), com dados analisados via estatística descritiva no programa Microsoft Excel, sob aprovação ética (CAAE 90847525.6.0000.8023). Resultados e Discussão: A maioria das participantes autodeclarou-se parda (76,7%) e possuía renda de até um salário-mínimo (68,3%), com 95,0% dos partos realizados no SUS, evidenciando a intersecção de raça e classe na vulnerabilidade assistencial. A prevalência de cesarianas (70,0%) superou amplamente as recomendações internacionais, retratando um modelo assistencial tecnocrático e hipermedicalizado. A violência obstétrica atingiu alarmantes 81,7% (n=49), manifestando-se de forma multidimensional: verbal (silenciamento da dor), psicológica (sensação de abandono) e física (privação do contato pele a pele imediato em 18 recém-nascidos). No âmbito institucional, a negação do acompanhante de livre escolha (36,7%) e o déficit de privacidade em enfermarias (54,2%) expõem o desrespeito sistemático a garantias legais e a despossessão do protagonismo feminino. Conclusão: A violência obstétrica apresentou elevada frequência e caráter estrutural na região, evidenciada pelo descompasso entre a legislação vigente e a prática hospitalar. Torna-se imperativo qualificar a assistência pré-natal e promover a educação permanente das equipes de saúde para assegurar a autonomia e a dignidade das parturientes.
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