A AUSÊNCIA DE AFETO PATERNO E SUAS IMPLICAÇÕES DA PERSONALIDADE ADULTA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n8p321-336Resumo
As experiências construídas no ambiente familiar durante a infância participam de maneira significativa do processo de desenvolvimento emocional e da formação da percepção que o indivíduo estabelece sobre si mesmo. Nesse cenário, a relação construída com o pai pode assumir diferentes configurações, e a insuficiência de cuidado, proximidade e disponibilidade afetiva pode apresentar repercussões que ultrapassam os primeiros anos de vida. Diante disso, este estudo teve como objetivo compreender as possíveis relações entre a ausência de afetividade paterna, a autoestima e a constituição da personalidade durante a vida adulta. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica, descritiva e de abordagem qualitativa, contemplando publicações científicas referentes ao período de 2020 a 2025. A identificação dos estudos ocorreu por meio de buscas na Scientific Electronic Library Online (SciELO), no Portal de Periódicos CAPES e na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). A literatura examinada apontou que experiências caracterizadas por reduzida participação emocional do pai podem estar relacionadas à insegurança, à percepção negativa de si, às dificuldades no campo emocional e aos obstáculos vivenciados nas relações interpessoais. Em sentido distinto, relações paternas permeadas por acolhimento, cuidado e disponibilidade foram relacionadas a aspectos favoráveis da segurança emocional, da confiança pessoal e da construção dos vínculos afetivos. Entretanto, os estudos também demonstraram que as experiências envolvendo o pai não devem ser compreendidas isoladamente como responsáveis pela configuração da personalidade, considerando que o desenvolvimento humano resulta da interação de diferentes relações, contextos sociais e acontecimentos vivenciados ao longo da trajetória individual. Dessa forma, os achados reforçam a importância de compreender a participação paterna a partir da qualidade das relações estabelecidas e da diversidade existente nas configurações familiares.
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