Exposição microbiológica durante a natação em águas abertas em competições de Triathlon na Baía de Santos, Brasil: Implicações para a gestão da qualidade da água recreativa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n8p478-530

Palavras-chave:

Balneabilidade, Escherichia coli, Enterococcus spp., Natação, Triathlon

Resumo

Águas costeiras usadas para recreação de contato primário podem expor atletas a indicadores de contaminação fecal, sobretudo em competições de natação em águas abertas. Este estudo avaliou as concentrações de Escherichia coli (E. coli) e Enterococcus spp. e parâmetros físico-químicos (pH, salinidade, temperatura e oxigênio dissolvido) ao longo do percurso de natação de oito competições do Troféu Brasil de Triathlon, na Praia da Aparecida, Baía de Santos, Brasil, entre 2024 e 2025. Em cada competição, coletaram-se amostras em cinco pontos ou momentos, na região de largada e a cerca de 100 m e 200 m dela. As concentrações foram determinadas pelo Número Mais Provável (NMP) e comparadas, apenas como referências contextuais, aos critérios da Resolução CONAMA nº 274/2000 para a última amostragem, e discutidas com os dados oficiais de balneabilidade da CETESB, que diferem em local, horário, desenho amostral e método analítico. Das 40 determinações por indicador, 36 de Enterococcus spp. (90,0%) excederam 400 NMP/100 mL, e nenhuma das 40 de E. coli ultrapassou 2.000 NMP/100 mL. As médias geométricas de Enterococcus spp. variaram de 539,73 a 1.554,80 NMP/100 mL, com o maior valor na terceira campanha de 2025, e permaneceram acima de 400 NMP/100 mL nos pontos P2 e P3. O pH, a salinidade e a temperatura variaram pouco, e o oxigênio dissolvido (3,5 a 4,7 mg/L) ficou abaixo de 5,0 mg/L em todas as campanhas, segundo a referência para águas salinas Classe 2. Os achados indicam exposição potencial recorrente dos atletas a concentrações elevadas de Enterococcus spp., sem permitir estimar a probabilidade de infecção nem atribuir fontes, e sustentam o monitoramento complementar, espacialmente representativo e específico para eventos em águas abertas. O delineamento e a abordagem analítica foram registrados no Open Science Framework (OSF) após a coleta e a análise dos dados, sob o registro nº 10.17605/OSF.IO/Q38JV.

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Biografia do Autor

Vinicius Roveri, Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) e Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR/CIMAR)

Realizou estágio pós-doutoral no CIIMAR (Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental), centro de investigação e formação avançada da Universidade do Porto (Portugal), com foco em risco ecológico de poluentes emergentes, especialmente compostos farmacêuticos (2024), mantendo atualmente vínculo como Pesquisador Colaborador Externo da instituição. Também concluiu estágio pós-doutoral na Universidade Fernando Pessoa, por meio da Faculdade de Ciência e Tecnologia (FCT-UFP), em Porto (Portugal), voltado ao uso de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) aplicadas ao ensino de Educação Ambiental. É Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental pela FCT-UFP (2021), com reconhecimento no Brasil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Possui Mestrado em Ecologia pela Universidade Santa Cecília (UNISANTA, 2013) e Graduação em Tecnologia Ambiental pelo Centro Universitário São Judas (2005), além de formações complementares (pós-graduações lato sensu) na área de educação. Desde 2007, atua como Coordenador e Professor na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) e, desde 2021, integra o corpo docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental (PPG-CITA), Mestrado e Doutorado, da UNISANTA. Sua pesquisa concentra-se em poluentes emergentes, como fármacos, drogas ilícitas e produtos de cuidado pessoal, abrangendo monitoramento ambiental, bioacumulação e avaliação de risco ecológico. Utiliza ferramentas consolidadas de toxicologia computacional (EPI Suite, VEGA, OPERA, QSAR Toolbox, TEST/EPA e CORAL QSAR) integradas a abordagens de Inteligência Artificial, incluindo TRIDENT AI, para aprimorar predições ecotoxicológicas e apoiar a priorização de contaminantes. Desenvolve, ainda, estudos em scientometria e atua na área de Educação Ambiental, com ênfase em TIC e objetos interativos H5P. Nos últimos anos, tem atuado também como revisor ad hoc para diversas revistas científicas internacionais, incluindo periódicos das editoras Elsevier, Springer Nature, Taylor Francis e American Chemical Society (ACS Publications), contribuindo regularmente com avaliações técnico-científicas em sua área de especialidade. 

Camilo Dias Seabra Pereira, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Possui Bacharelado em Ciências Biológicas com ênfase em Biologia Marinha pela Universidade Santa Cecilia (1998), Mestrado em Oceanografia (Oceanografia Biológica) pela Universidade de São Paulo (2004), Doutorado em Oceanografia (Oceanografia Biológica) pela Universidade de São Paulo (2008) e Pós-Doutorado (Oceanografia Biológica) no Departamento de Física e Química da Universidade de Cádiz - Espanha (2009). Atualmente é Professor Associado do Departamento de Ciências do Mar da Universidade Federal de São Paulo - Instituto do Mar - Campus Baixada Santista. Professor Permanente dos PPGs Interdisciplinar em Ciências e Tecnologia do Mar (UNIFESP), Análise Ambiental Integrada (UNIFESP) e Ciência e Tecnologia Ambiental (UNISANTA). Professor Colaborador do PPG Biodiversidade de Ambientes Costeiros (UNESP - Campus do Litoral Paulista). Experiência nas áreas de Oceanografia Biológica e Biologia Marinha, com ênfase em Ecotoxicologia. 

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Publicado

2026-10-13

Como Citar

ANDRADE DE ASSIS JUNIOR, Wellington Rui; ROVERI, Vinicius; SEABRA PEREIRA, Camilo Dias. Exposição microbiológica durante a natação em águas abertas em competições de Triathlon na Baía de Santos, Brasil: Implicações para a gestão da qualidade da água recreativa. Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, Macapá, Brasil, v. 5, n. 8, p. 478–530, 2026. DOI: 10.36557/2674-9432.2026v5n8p478-530. Disponível em: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/1527. Acesso em: 14 out. 2026.

Edição

Seção

Ciências Ambientais e Ecologia