CONHECIMENTO E PRÁTICA: BARREIRAS NA IMPLEMENTAÇÃO DOS CUIDADOS NEUROPROTETORES POR PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL (UTIN)
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n8p1396-1421Palavras-chave:
Neuroproteção neonatal, Enfermagem, Barreiras assistenciaisResumo
A realização de cuidados neuroprotetores na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) é essencial para minimizar riscos ao desenvolvimento neurológico de recém-nascidos prematuros e clinicamente instáveis, considerando que o período neonatal representa uma fase crítica de maturação cerebral. A equipe de enfermagem possui papel fundamental na organização do ambiente terapêutico, manejo da dor, posicionamento adequado, controle de estímulos ambientais e incentivo à participação familiar. O objetivo deste estudo foi identificar o nível de conhecimento dos profissionais de enfermagem acerca dos cuidados neuroprotetores, analisar sua aplicação na assistência diária e reconhecer as principais barreiras para sua implementação na UTIN, e desenvolver um folder sobre boas práticas de enfermagem em cuidados neuroprotetores. Trata-se de uma pesquisa de campo, quantitativa e transversal, realizada com 29 profissionais (enfermeiros e técnicos de enfermagem) atuantes em UTIN. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário estruturado contendo informações sociodemográficas e questões relacionadas ao conhecimento, práticas e percepções sobre neuroproteção neonatal. Os resultados demonstraram que 28 (96,55%) eram do sexo feminino, 20 (68,97% casadas, e 48,3% dos participantes afirmaram conhecer os cuidados neuroprotetores com segurança, enquanto 44,8% relataram já ter ouvido falar sobre o tema. A maioria dos profissionais (96,6%) reconheceu que essas práticas favorecem melhores desfechos clínicos para recém-nascidos prematuros. Observou-se elevada adesão a estratégias neuroprotetoras, incluindo posicionamento terapêutico com ninhos ou coxins, agrupamento de cuidados, redução de ruídos e luminosidade, uso de coberturas na incubadora ,incentivo ao Método Canguru, e valorização da participação dos pais no cuidado neonatal. Entre os benefícios do agrupamento de cuidados destacaram-se a melhora do sono (86,2%) e a redução do estresse (79,3%). Apesar do cenário favorável, foram identificadas fragilidades relacionadas à capacitação continuada, avaliação sistemática da dor, utilização de medidas não farmacológicas e conhecimento sobre protocolos institucionais. Além disso, fatores como sobrecarga de trabalho, dimensionamento inadequado de pessoal e limitações organizacionais foram apontados como barreiras à implementação integral dos cuidados neuroprotetores. Conclui-se que a equipe apresenta conhecimento satisfatório e percepção positiva sobre a neuroproteção neonatal, porém são necessárias ações de educação permanente, fortalecimento dos protocolos assistenciais e melhorias nas condições de trabalho para garantir uma assistência segura, humanizada e baseada em evidências.
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