A RODOVIÁRIA DO PLANO PILOTO DE BRASÍLIA: PAISAGEM, APROPRIAÇÃO E LEITURA NÃO VERBAL DO ESPAÇO URBANO
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n8p1314-1340Palavras-chave:
Rodoviária do Plano Piloto; paisagem; leitura não verbal; apropriação; direito à cidade.Resumo
Este artigo analisa a Rodoviária do Plano Piloto de Brasília e seu entorno como espaço socialmente produzido, investigando as relações entre a cidade projetada e a cidade vivida. A pesquisa toma como referência a leitura não verbal da cidade proposta por Lucrécia Ferrara (1988), articulada à discussão sobre paisagem, percepção, apropriação e produção social do espaço urbano. O trabalho de campo foi realizado em um quadrilátero centrado na Rodoviária do Plano Piloto, definido a partir da relação entre a Rodoviária e equipamentos estratégicos de seu entorno. A observação direta e o registro fotográfico foram utilizados como instrumentos de leitura da paisagem, organizados por meio das operações de desmontagem e remontagem. Os resultados evidenciam a coexistência de diferentes usos e temporalidades em uma espacialidade planejada prioritariamente para a circulação. Trabalho informal, comércio, repouso, abrigo precário e manifestações simbólicas e políticas revelam formas de apropriação que ultrapassam as funções previstas pelo projeto urbano. A análise indica que a forma espacial condiciona possibilidades, mas não determina integralmente os conteúdos sociais da cidade. Nesse contexto, o direito à cidade constitui uma chave interpretativa para compreender as desigualdades de apropriação e a distância entre a racionalidade do planejamento moderno e as práticas da cidade vivida.
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