AVANÇOS NO USO DE BIOMARCADORES PARA DIAGNÓSTICO DE INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: UMA REVISÃO DE LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.36557/pbpc.v4i1.300Resumo
A insuficiência cardíaca é uma condição clínica complexa, caracterizada pela incapacidade do coração de manter um fluxo sanguíneo adequado às necessidades metabólicas dos tecidos. Embora avanços no manejo farmacológico e não farmacológico tenham melhorado os desfechos para muitos pacientes, o diagnóstico precoce e preciso permanece um desafio essencial. Biomarcadores tradicionais, como o peptídeo natriurético tipo B (BNP) e seu fragmento N-terminal (NT-proBNP), têm desempenhado um papel central na prática clínica, auxiliando na estratificação de risco e confirmação diagnóstica. Contudo, a busca por biomarcadores que reflitam múltiplos aspectos da fisiopatologia da insuficiência cardíaca levou ao surgimento de novas ferramentas moleculares com potencial clínico ampliado. Este estudo tem como objetivo explorar os avanços recentes no uso de biomarcadores para o diagnóstico da insuficiência cardíaca, discutindo sua aplicação e relevância no contexto clínico. Por meio de uma revisão narrativa da literatura, foram consultadas bases de dados como PubMed, SciELO e Cochrane Library, utilizando combinações de palavras-chave relacionadas à condição e aos biomarcadores. Estudos publicados nos últimos dez anos, com foco em biomarcadores tradicionais e emergentes, foram incluídos, enquanto artigos duplicados ou irrelevantes foram excluídos. As informações extraídas foram analisadas qualitativamente, agrupando-se os biomarcadores de acordo com suas funções clínicas e moleculares. Os resultados destacaram o papel de biomarcadores emergentes, como galectina-3, cistatina C, ST2 solúvel e NGAL, que oferecem informações complementares às fornecidas pelos biomarcadores tradicionais. A galectina-3, por exemplo, é um indicador de fibrose e remodelagem cardíaca, enquanto o ST2 solúvel está associado ao estresse mecânico e à inflamação. Além disso, marcadores como a cistatina C e o NGAL destacam-se por sua capacidade de detectar precocemente disfunções renais frequentemente associadas à insuficiência cardíaca. Apesar de seu potencial promissor, desafios relacionados à padronização de métodos e validação em populações distintas ainda precisam ser superados. A integração de biomarcadores emergentes ao arsenal diagnóstico permite uma compreensão mais ampla da fisiopatologia da insuficiência cardíaca, promovendo intervenções mais precoces e personalizadas. Este estudo reforça a necessidade de continuar explorando novas ferramentas moleculares, consolidando os biomarcadores como pilares fundamentais para o manejo clínico da insuficiência cardíaca.
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