CARACTERIZAÇÃO DAS SOLICITAÇÕES DE INTERNAMENTO PSIQUIÁTRICO REALIZADAS POR SERVIÇOS PÚBLICOS DE SAÚDE MENTAL EM UMA CIDADE DO OESTE DO PARANÁ
DOI:
https://doi.org/10.36557/pbpc.v4i2.437Palavras-chave:
dependência química, reforma psiquiatrica, saúde mental, internamento psiquiátricoResumo
Durante as duas últimas décadas, no Brasil, ocorreram mudanças nos marcos legais e nas diretrizes assistenciais em saúde mental, e o papel do hospital psiquiátrico e dos demais dispositivos de atenção disponíveis se modificaram, bem como as trajetórias terapêuticas dos usuários desses serviços. Sob os pressupostos da reforma psiquiátrica, iniciada há cerca de meio século, o atendimento de base comunitária deveria ser opção substitutiva aos internamentos psiquiátricos. Este estudo teve como objetivo caracterizar as fichas de solicitações de internamento psiquiátrico preenchidas por serviços públicos especializados em saúde mental, no município de Toledo-PR, entre fevereiro de 2019 e dezembro de 2021. Trata-se de estudo documental, descritivo, de natureza qualitativa. Foram analisadas 159 fichas, majoritariamente provenientes do CAPS AD. A análise combinou procedimentos de estatística descritiva e análise a de conteúdo de Bardin, por meio da qual foram identificadas sete categorias temáticas finais. Os dados mais frequentes encontrados foram o sexo masculino, idade entre 30 a 39 anos, diagnóstico de dependência química, sobretudo de álcool, disfuncionalidade familiar e social, internamento prévio e uso irregular ou abandono do uso de medicação. Um direcionamento concreto para o estreitamento entre trabalho assistencial e comunidade, na intenção de reduzir a frequência de internamentos psiquiátricos em prol de atendimentos de base comunitária, deve envolver pesquisas locorregionais capazes de identificar condições prevalentes das populações para as quais o internamento é solicitado, dirigindo assim a adaptação de modelos assistenciais e políticas públicas específicas.
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