CAPITAL E LIBIDO
UMA LEITURA À LUZ DE JACQUES LACAN
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p2705-2721Palavras-chave:
pesquisa; bibliográfifa; desejo; objeto; dinheiro; prazer.Resumo
Na psicanálise dinâmica o conceito de libido surge como uma energia psíquica de natureza sexual, que é responsável pelo envolvimento com objetos e pela participação na vida social. Ao retomar esse conceito, Lacan o reintegra à estrutura da linguagem e do desejo, conectando-o à ideia de objeto a e ao conceito de gozo. Lacan, em seus seminários, relaciona a economia libidinal à lógica do capitalismo, destacando como o discurso capitalista captura a libido e altera as conexões entre capital, libido, objeto, dinheiro, gozo, prazer e a relação do indivíduo com o outro. Esta revisão tem como objetivo abordar a conexão entre capital e libido de acordo com Lacan, enfatizando as implicações teóricas e clínicas dessa mudança. Este artigo foi elaborado com base em estudo e pesquisa bibliográfica, com consultas em bases de dados eletrônicos como a Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), a Scientific Electronic Library Online (SciELO) e a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Os principais artigos foram selecionados em português, filtrados por divulgação entre 2020 e 2025. Assim, a leitura lacaniana indica que a conexão entre capital e libido vai além da esfera econômica, sendo principalmente subjetiva e discursiva. Enquanto o capitalismo atua como um mecanismo que mobiliza e explora a energia libidinal, a psicanálise enfatiza a relevância de manter a falta e de reintroduzir o indivíduo em sua singularidade de desejo e gozo. Essa tensão entre capital e libido, em vez de ser resolvida, se torna um dos eixos centrais para refletir tanto a clínica contemporânea quanto atuais as configurações do laço social.
Downloads
Referências
BADIOU, A. Manifesto pela Filosofia: primeiro e segundo manifesto pela filosofia São Paulo: LavraPalavra, 2022.
BROIDE, J.; BROIDE, E. E. A psicanálise em situações sociais críticas: metodologia clínica e intervenções. Escuta, 2020.
CENTENO, L. S.; MOREIRA, J. O. Revisitando o matema: Lacan entre o formalismo e o Real. Ágora Estudos em Teoria Psicanalítica, v. 27, 2024. https://doi.org/10.1590/1809-4414-2024-290443
COSENZA, D. Hacia una clínica del excesso: síntomas contemporâneos y la orientacion analítica a lo real. Revista ABC la Cultura del Psicoanálisis, v. 5, ago. 2021. Buenos Aires: Colegio Estudios Analíticos.
DUTRA, V.; MOSCHEN, S. O objeto voz: afecção entre angústia e culpa. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, v. 27, 2024. https://doi.org/10.1590/1415-4714.e221058
FREUD, S. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905). In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, vol. VII. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
FREUD, S. Caráter e erotismo anal (1908). In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v. IX. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
GOLDENBERG, R. Inconscientes. Sinthoma, 2023.
GONÇALVES, G. A.; MARCOS, C. M. Encore... Além do princípio de prazer: trauma, real e acontecimento de corpo. Ágora Estudos em Teoria Psicanalítica, v. 27, 2024. https://doi.org/10.1590/1809-4414-2024-279581
GRAZZIOTIN, L. S.; KLAUS, V.; PEREIRA, A. P. M. Pesquisa documental histórica e pesquisa bibliográfica: focos de estudo e percursos metodológicos. Revista Pro-Posições, v. 33, 2022. https://doi.org/10.1590/1980-6248-2020-0141
JERUSALINSKY, J. Quem é o Outro da primeiríssima infância? A sustentação das operações estruturantes e as transformações nos modos de cuidar. Em L. Mena (Ed.), O infamiliar na contemporaneidade: o que faz família hoje? (pp. 36–61). Ágalma, 2021.
LACAN, J. O seminário, livro 7: A ética da psicanálise (1959-1960). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991.
LACAN, J. O seminário, livro 10: a angústia (1962-1963). Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005. (Campo Freudiano no Brasil).
LACAN, J. O seminário, livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1964/1985.
LACAN, J. O seminário, livro 17: O avesso da psicanálise (1969-1970). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992.
LEMKE, R. A.; COSTA, M. L.; RAVANELLO, T. Subjetivação do desejo e ser-para-a-morte. Ágora Estudos em Teoria Psicanalítica, v. 27, n. e287293, 2024. https://doi.org/10.1590/1809-4414-2024-287293
LEYACK, P. Escritas em Psicanálise. Sinthoma, 2023.
MALCHER, F. Qual discurso ao capitalismo? Ágora Estudos em Teoria Psicanalítica, v. 25, n. 3, p. 60–68, 2022. https://doi.org/10.1590/1809-44142022003008
MARTINS, J.; SILVA, D. A. da. O discurso capitalista e a captura do desejo: um levantamento bibliográfico sobre o consumo de pornografia em plataformas digitais. Revista Mato-Grossense de Gestão, Inovação e Comunicação, v. 2, n. 2, p. 94–103, 2024.
MEDEIROS, V. Do estruturalismo ao ordinário do sentido: Uma breve leitura. Revista Linguagem, v. 37, n. 1, p. 197-212, 2021.
MILNER, J. A Search for clarity: science and philosophy in Lacan’s oeuvre 1ª ed. Evanston: Northwestern University Press, 2020.
MINERBO, M. Transferência e contratransferência. Blucher, 2020.
MOHR, A. M. A morte de Lacan: Um dos nomes do não-ser e causa eficiente do parlêtre. Basilíade - Revista de Filosofia, v. 2, n. 4, p. 127-141, 2020. https://doi.org/10.35357/2596-092X.v2n4p127-141/2020
MORAES, M. E. F. A Função do desejo do analista nas entrevistas iniciais. Revista Portuguesa de Psicanálise, v. 44, n. 1, p. 83–101, 2024. https://doi.org/10.51356/rpp.441a5
RAVANELLO, T. Psicanálise e semiótica tensiva: Elementos para uma abordagem semiótica dos afetos. Estudos Semióticos, v. 16, n. 1, p. 43-69, 2020. https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2020.172025
RITTER, P.; FERRAZ, F. (Orgs.). O grão de areia no centro da pérola: sobre as neuroses atuais. Blucher, 2022.
RODRIGUES, G. V. No começo era o ato: uma leitura do seminário O Ato Psicanalítica, livro 15, de Jacques Lacan. Ed. Artesa? 2017.
SAFATLE, V. Introdução a Jacques Lacan. Autêntica, 2018.
SANTOS, P. H. DE A.; ALBUQUERQUE, M. C. DE; ANDRADE, C. Transferência e a clínica psicanalítica das psicoses. Psicologia USP, v. 35, 2024. https://doi.org/10.1590/0103-6564e190030
SILVA, A. W. C. da et al. Teoria do desejo em Lacan como crítica ao realismo ingênuo do eu. Revista Subjetividades, v. 22, n. 3, 2023. https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v22i3.e13073
SOUZA, A. S. A pesquisa bibliográfica: princípios e fundamentos. Caderno da Fucamp, Uberlandia, v. 20, n. 43, p. 64-83, 2021.
TUPINAMBÁ, G. The Desire of Psychoanalysis: exercises in Lacanian thinking 1ª ed. Evanston: Northwestern University Press, 2021.
VIVIANA, I. R. L. R. Pornografia, adicção e psicanálise: uma interface entre cultura e inconsciente. p. 06-41, Curso de Psicologia, Universidade UniCEUB, Brasilia, 2023.
VORSATZ, I. O conceito, o desejo e a ética: o desejo como móbil do conceito fundamental. Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica, v. 21, n. 2, p. 215–223, 2018.
ZUBERMAN, J. A Clínica Psicanalítica: seminários na clínica-escola. Evangraf, 2014.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 José Orlando da Silva Queiroz, Luiz Carlos Gomes Sousa da Silva, Natanael Barros Gonçalves, Danyely Almeida Lopes Pinto, Ildilene Jansen, Alex Benedito Romão dos Santos, Keyla Suellen Rocha Neves, Amanda Cristina Medeiros da Silva, Antônio Cosme Menezes Neto, Sinandra Carvalho dos Santos Fernandes, Tiago Fernandes Pinheiro, Claudiana Sales Barbosa, Priscilla Andrade Silva, Elenson Gleison de Souza Medeiros

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Você tem o direito de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
- Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
- O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
- Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado , prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas . Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.