TROMBOSE VENOSA CENTRAL NÃO RELACIONADA A CATETER CENTRAL EM RECÉM-NASCIDO: RELATO DE CASO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36557/pbpc.v4i2.466

Palavras-chave:

Trombose Venosa, Recém-Nascido, UTI Pediátrica

Resumo

Introdução: A trombose venosa central (TVC) em recém-nascidos é uma condição rara, geralmente associada ao uso de cateter venoso central. Quando ocorre de forma espontânea, sua identificação precoce torna-se desafiadora, dada a inespecificidade dos sinais clínicos e a escassez de relatos na literatura.

Descrição do caso: Relata-se o caso de um recém-nascido (RN) a termo nascida por via cesárea de 38 semanas e 3 dias, sexo feminino, com peso de 3100g, Apgar 9/10, sem necessidade de reanimação ao nascimento e exame físico inicial normal. A mãe apresentava diagnóstico prévio de diabetes mellitus tipo 1, em uso de insulina e metformina durante a gestação e histórico obstétrico com três gestações anteriores, com dois partos cesáreos e um aborto. No dia seguinte do nascimento, a RN progrediu com abalos musculares simétricos em membros superiores nas primeiras 48 horas de vida. A ultrassonografia transfontanelar revelou imagens compatíveis com lesões hemorrágicas, e a ressonância magnética evidenciou infarto venoso hemorrágico no tálamo anterior direito, trombose da veia cerebral interna direita e da veia de drenagem do tálamo direito. O eletroencefalograma não mostrou atividade epileptiforme. Iniciou-se tratamento com enoxaparina e fenobarbital, com boa evolução clínica e alta hospitalar no décimo dia de vida.

Discussão: O caso ilustra a importância da suspeita clínica e do diagnóstico precoce da TVC em RNs, mesmo na ausência de cateter venoso central, fator de risco mais comum. A imaturidade do sistema de coagulação neonatal contribui para a vulnerabilidade trombótica, e a abordagem terapêutica com heparina de baixo peso molecular demonstra segurança nessa faixa etária.

Conclusão: A TVC neonatal sem relação com cateter é um evento raro, cuja detecção precoce e manejo adequado são essenciais para o prognóstico. Assim, o diagnóstico oportuno e o manejo adeq uado são fundamentais para o bom prognóstico e para a redução de possíveis complicações neurológicas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Almendra M, Gonçalves CS, Casimito A, Estrada JF. Tromboembolismo venoso em idade pediátrica: um olhar de 20 anos numa unidade de cuidados intensivos pediátricos. Resid Pediatr. 2024;14(1). doi:10.25060/residpediatr-2024.v14n1-995

Bruschettini M, et al. Heparin for the prevention of intraventricular haemorrhage in preterm infants. Cochrane Database Syst Rev. 2016 May;2016(5):CD011718. doi:10.1002/14651858.CD011718.pub2

Chan AKC, Bhatt MD, O’Brien S, Garcia-Prats JA, Armsby C. Neonatal thrombosis: clinical features and diagnosis [Internet]. UpToDate; 2025 [citado 2025 Mar 1]. Disponível em: https://www.uptodate.com

Christensen R, et al. Cerebral venous sinus thrombosis in preterm infants. Stroke. 2022 Jul;53(7):2241-8. doi:10.1161/STROKEAHA.121.037621

Correa Barria DA, Díaz Olivares MA, Lara López SE, Valenzuela Aguilera MA. Trombosis en el recién nacido. Rev Pediatr Electron [Internet]. 2021 [citado 2025 Mar 1];18(1). Disponível em: https://www.revistapediatriaelectronica.cl

Gano D, Wu Y, Nordli DR Jr, Martin R, Dashe JF, Tehrani N. Neonatal encephalopathy: clinical features and diagnosis [Internet]. UpToDate; 2025 [citado 2025 Mar 1]. Disponível em: https://www.uptodate.com

Jaffray J, et al. Development of a risk model for pediatric hospital-acquired thrombosis: a report from the Children’s Hospital-Acquired Thrombosis Consortium. J Pediatr. 2021 Jan;228:252-9.e1. doi:10.1016/j.jpeds.2020.09.016

Jani S, Ariss R, Velumula P, Altinok D, Chawla S. Term infant with cerebral venous sinus thrombosis. Case Rep Pediatr. 2020;2020:8883007. doi:10.1155/2020/8883007

Lira LAS, Carneiro JDA, Duarte MCMMB. Pediatric venous thromboembolism: incidence and patient profile in a single Brazilian institution. Hematol Transfus Cell Ther. 2024 Nov;46(Suppl 5):S227-32. doi:10.1016/j.htct.2024.06.006

Robinson V, et al. Thrombosis in infants in the neonatal intensive care unit: analysis of a large national database. J Thromb Haemost. 2021 Feb;19(2):400-7. doi:10.1111/jth.15144

Romantsik O, Bruschettini M, Zappettini S, Ramenghi LA, Calevo MG. Heparin for the treatment of thrombosis in neonates. Cochrane Database Syst Rev. 2016 Nov;(11):CD012185. doi:10.1002/14651858.CD012185.pub2

Rühle F, Stoll M. Advances in predicting venous thromboembolism risk in children. Br J Haematol. 2018 Mar;180(5):654-65. doi:10.1111/bjh.15060

Sharathkumar AA, Biss T, Kulkarni K, Ahuja S, Regan M, Male C, Revel-Vilk S. Epidemiology and outcomes of clinically unsuspected venous thromboembolism in children: a systematic review. J Thromb Haemost. 2020 May;18(5):1100-12. doi:10.1111/jth.14739

Shellhaas R, Nordli DR Jr, Garcia-Prats JA, Dashe JF. Clinical features, evaluation, and diagnosis of neonatal seizures [Internet]. UpToDate; 2025 [citado 2025 Mar 1]. Disponível em: https://www.uptodate.com

Sociedade Portuguesa de Neonatologia. Consenso clínico “Trombose neonatal” [Internet]. 2023 [citado 2025 Mar 1]. Disponível em: https://www.spneonatologia.pt/wp-content/uploads/2018/05/Consenso-TVP-neonatal.pdf

Young G. How I treat pediatric venous thromboembolism. Blood. 2017 Sep 21;130(12):1402-8. doi:10.1182/blood-2017-04-742320

Downloads

Publicado

2025-12-05

Como Citar

DE LIMA, Betina Armanini; RIBEIRO, Paulo André; PEREIRA, Ana Clara Guimarães Justo; LOPES, Eduarda de Souza. TROMBOSE VENOSA CENTRAL NÃO RELACIONADA A CATETER CENTRAL EM RECÉM-NASCIDO: RELATO DE CASO. Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, Macapá, Brasil, v. 4, n. 2, p. 1008–1015, 2025. DOI: 10.36557/pbpc.v4i2.466. Disponível em: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/466. Acesso em: 10 maio. 2026.