PROCESSO DE ENFERMAGEM E SUA RELEVÂNCIA NA IDENTIFICAÇÃO PRECOCE E NO MANEJO DA ICTERÍCIA NEONATAL
DOI:
https://doi.org/10.36557/pbpc.v4i2.480Resumo
A icterícia neonatal configura-se como uma das condições clínicas mais prevalentes no período pós-natal imediato, acometendo até 80% dos recém-nascidos prematuros e 60% dos recém-nascidos a termo, sendo caracterizada pelo acúmulo de bilirrubina não conjugada no organismo. A hiperbilirrubinemia, quando não identificada e tratada precocemente, pode evoluir para encefalopatia bilirrubínica e kernicterus, danos neurológicos irreversíveis associados à toxicidade da bilirrubina sobre o sistema nervoso central. O Processo de Enfermagem (PE), preconizado pela Resolução COFEN nº 358/2009, fundamenta-se em etapas sistemáticas que possibilitam uma avaliação abrangente, diagnósticos precisos e intervenções seguras, proporcionando assistência qualificada e direcionada às necessidades do recém-nascido com icterícia. Este artigo tem por objetivo analisar, à luz da literatura científica contemporânea, a relevância do Processo de Enfermagem na detecção precoce e no manejo adequado da icterícia neonatal, destacando o papel do enfermeiro no monitoramento clínico, manejo terapêutico, educação em saúde e apoio familiar. Trata-se de uma revisão narrativa, construída com base em publicações científicas nacionais e internacionais, diretrizes do Ministério da Saúde, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da American Academy of Pediatrics (AAP). Os resultados evidenciam que o uso sistemático do PE reduz complicações graves, contribui para diagnósticos precoces, minimiza internações prolongadas e fortalece o cuidado humanizado. Conclui-se que o enfermeiro é elemento central na prevenção de desfechos negativos, devendo ser continuamente capacitado para atuar com segurança e precisão no cuidado neonatal.
Palavras-chave: Icterícia neonatal. Processo de Enfermagem. Hiperbilirrubinemia. Fototerapia. Recém-nascido.
Downloads
Referências
AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Management of Hyperbilirubinemia in the Newborn Infant 35 or More Weeks of Gestation. Pediatrics, v. 150, n. 3, p. 1–27, 2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Atenção à Saúde do Recém-Nascido: Guia para os Profissionais de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Bases para a prática do aleitamento materno. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Manual de Acompanhamento da Criança. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.
BRITO, A. C.; SILVA, M. R. Sistematização da Assistência de Enfermagem na prevenção da icterícia neonatal. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 74, n. 5, p. 1–9, 2021.
CARVALHO, M.; LUZ, J.; FARHAT, C. Icterícia no recém-nascido. São Paulo: Atheneu, 2018.
COFEN – Conselho Federal de Enfermagem. Resolução COFEN nº 358, de 15 de outubro de 2009. Dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem. Brasília, 2009.
CORTEZ, A. P. et al. Educação em saúde e empoderamento familiar no cuidado ao recém-nascido. Revista Paulista de Pediatria, v. 41, p. 1–10, 2023.
CRUZ, E.; ALMEIDA, M. R. Processo de Enfermagem aplicado à neonatologia: revisão integrativa. Enfermagem Atual, v. 99, p. 1–12, 2020.
DUARTE, M. S.; FONSECA, R. A. Intervenções de enfermagem na fototerapia neonatal: revisão atualizada. Revista de Enfermagem Neonatal, v. 11, n. 2, p. 115–124, 2022.
FERREIRA, M. O.; BELBUCHE, A. Humanização do cuidado neonatal: práticas e desafios. Revista Saúde e Família, v. 12, n. 3, p. 77–84, 2021.
GARCIA, T. R.; NÓBREGA, M. M. Taxonomias de enfermagem e sua aplicabilidade no cuidado neonatal. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 74, supl. 1, p. 1–9, 2021.
HOCKENBERRY, M. J.; WILSON, D. Fundamentos de Enfermagem Pediátrica. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2023.
LAMY, Z. C.; MELLO, R. R. Aleitamento materno e prevenção de icterícia: evidências e recomendações. Cadernos de Saúde Pública, v. 37, n. 2, p. 1–9, 2021.
LIMA, P. R.; LEAL, F. Avaliação clínica da icterícia neonatal: precisão diagnóstica da enfermagem. Revista Enfermagem Atual, v. 98, p. 1–11, 2022.
NANDA INTERNATIONAL. Diagnósticos de Enfermagem da NANDA-I: definições e classificação 2021–2023. Porto Alegre: Artmed, 2021.
PEREIRA, F. R.; ANDRADE, L. F. Complicações da hiperbilirrubinemia e o papel da enfermagem na prevenção. Revista Enfermagem e Saúde, v. 10, n. 4, p. 1–14, 2021.
REICHERT, A. P. S. et al. Vivência de pais de recém-nascidos internados em unidades neonatais. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v. 7, n. 3, p. 257–263, 2007.
REIS, L. C.; SILVA, A. M. A família no cuidado ao recém-nascido com icterícia: perspectiva de enfermagem. Revista de Humanização em Saúde, v. 3, n. 1, p. 55–64, 2022.
ROTHER, E. T. Revisão narrativa: metodologia mais utilizada em pesquisa clínica. Revista Acta Paulista de Enfermagem, v. 20, n. 2, p. 201–203, 2007.
SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diretrizes para avaliação e manejo da icterícia neonatal. São Paulo: SBP, 2021.
SILVA, L. P.; BRASIL, E. G. O papel do enfermeiro no cuidado neonatal: perspectivas contemporâneas. Revista CuidArte, v. 11, n. 1, p. 44–57, 2022.
SILVA, T. S. et al. Intervenções de enfermagem baseadas em evidências no manejo da icterícia. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 24, p. 1–16, 2022.
SOUZA, C. N.; ANDRADE, M. T. Avaliação e manejo da icterícia neonatal grave. Journal of Neonatal Nursing, v. 45, p. 12–19, 2022.
TAMEZ, R. N.; SILVA, M. L. Enfermagem na UTI Neonatal: assistência ao recém-nascido de alto risco. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021.
VERONEZ, M. et al. Vivência de mães de bebês prematuros em unidades neonatais. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 38, n. 2, p. 1–8, 2017.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Quemili de Cássia Dias de Sousa, Sara Lorrany Arnold da Silva, Cleidiane Lima dos Santos , Tatiane Ribeiro Pereira , Mayana Paulino Folha , Adrielly Lorrane Azevedo Melo , Luana Guimarães da Silva

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Você tem o direito de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
- Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
- O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
- Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado , prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas . Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.