Humanização e integralidade no cuidado em saúde mental: uma descrição das práticas profissionais na Atenção Primária à Saúde
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p203-218Palavras-chave:
saúde mental, atenção primária à saúde, estratificação de risco, práticasResumo
A saúde mental gera um equilíbrio entre a mente e o corpo, de forma estratégica foco no indivíduo e levando em consideração o ser humano como um todo. O objetivo deste estudo descreve a organização do processo de trabalho relacionado à subpopulação de pessoas que fazem uso de psicotrópicos e estão cadastradas em uma Unidade de Saúde do município de Ponta Grossa, Paraná, bem como identificar como foi realizada a estratificação de risco, o número de pessoas atendidas e as práticas terapêuticas adotadas pela equipe da Atenção Primária. Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem qualitativa e metodologia do Arco de Maguerez que consiste em cinco etapas. Foram organizadas agendamento todas sextas-feira para os pacientes que fazem uso de psicotrópicos, com o fluxo de atendimento sendo: recepção e identificação; triagem com técnico de enfermagem; consulta com enfermeiro, odontólogo, farmacêutico e educador físico os quais realizaram a estratificação de risco (orientaram e convidaram para participação em práticas integrativas como aromaterapia, arteterapia e outras atividades coletivas, visando promoção do bem-estar, fortalecimento de vínculos e redução da medicalização); consulta médica para prescrição; orientação ou encaminhamento para psicólogo/psiquiatra, sendo assim estratificados até o momento, cerca de trinta usuários participaram das práticas integrativas, selecionados por convite espontâneo conforme disponibilidade dos profissionais para realizar as atividades em saúde. Para estratificação de risco aplicou-se um instrumento, com pontuações que variam de acordo com a gravidade dos casos: Baixo risco; Médio risco; Alto risco. Essa classificação possibilitou o direcionamento adequado do cuidado, sendo ponto relevante para organização do agendamento das consultas. Com essa mudança, observamos que não houve mais falta de medicação e não foram registradas novas reclamações. A unidade de saúde exerce um papel de porta de entrada para diversos problemas de saúde, sendo o ponto de conexão entre a comunidade e o serviço especializado.
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