A Constituição Chinesa como Escudo da Soberania e a Espada de Desenvolvimento: o Mandato do Céu Secularizado

Autores

  • Julio Edstron Secundino Santos Ex-Diretor-Presidente da Mineratins. Graduado em Direito pela Universidade Presidente Antônio Carlos (2008), Mestre em Direito pela Universidade Católica de Brasília (2014). Doutor em Direito pelo UniCEUB, Membro da comissão de ensino jurídico da OAB/MG. Pesquisador do Centro Universitário de Brasília. Ex-Controlador-Geral do Município. Ex-Assessor Especial no Tribunal de Contas do Estado do Tocantins. Professor do Curso de Direito da Fbr. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Público, atuando principalmente nos seguintes temas: Terceiro Setor, direitos fundamentais, educação em direitos humanos, cidadania e direito e Seguridade Social. Membro dos grupos de pesquisa Núcleo de Estudos e Pesquisas Avançadas do Terceiro Setor (NEPATS) da UCB/DF, Políticas Públicas e Juspositivismo, Jusmoralismo e Justiça Política do UNICEUB. Editor Executivo da REPATS. E-mail: edstron@yahoo.com.br.

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p326-358

Palavras-chave:

Constitucionalismo Chinês. Estado-Partido. Soberania. Desenvolvimento Econômico. Estado Dual. Mandato do Céu

Resumo

Esta pesquisa investiga a arquitetura, a função e a operabilidade do Constitucionalismo Chinês, desafiando as categorias analíticas tradicionais do liberalismo ocidental para compreender o "software" institucional que sustenta a ascensão da China como superpotência. Partindo de uma abordagem histórico-sociológica e funcionalista, o estudo disseca a formação do "Estado-Civilização", demonstrando como o trauma do "Século da Humilhação" e a ética confucionista forjaram uma cultura jurídica que prioriza a harmonia coletiva e a estabilidade em detrimento do atomismo individual. A análise revela a existência de um "Estado Dual" que opera sob uma lógica de Pluralismo Jurídico Funcional: oferece previsibilidade normativa (Rule of Law) para as relações de mercado, enquanto mantém a discricionariedade soberana (Rule by Law) para a direção política e a segurança nacional. Através do exame da simbiose orgânica entre o Partido Comunista e o Estado, bem como de estudos de caso concretos — disputas fundiárias, regulação corporativa e conflitos geopolíticos —, conclui-se que a Constituição da República Popular da China não visa limitar o poder, mas capacitá-lo. Ela atua simultaneamente como um "Escudo de Soberania" contra a dissolução interna e externa, e como uma "Espada de Desenvolvimento" para a projeção de poder, legitimada por um "Mandato do Céu Secularizado" baseado na performance econômica e no rejuvenescimento nacional.

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Publicado

2026-01-20

Como Citar

SANTOS , Julio Edstron Secundino. A Constituição Chinesa como Escudo da Soberania e a Espada de Desenvolvimento: o Mandato do Céu Secularizado. Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, Macapá, Brasil, v. 5, n. 1, p. 326–358, 2026. DOI: 10.36557/2674-9432.2026v5n1p326-358. Disponível em: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/544. Acesso em: 11 maio. 2026.

Edição

Seção

Ciências Jurídicas e Segurança Pública