TESSITURAS AUTO(ORÍS)ETNOGRAFICAS NA EDUCAÇÃO: MOVIMENTOS, ENCANTAMENTOS E RESISTÊNCIAS PRETAGÓGICAS
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p566-588Palavras-chave:
Auto(Orís)Etnografias, Decolonialidade; Candomblé, Encantamentos, Educação Intercultural.Resumo
O objetivo deste ensaio nasce da urgência de narrar e inscrever outros modos de viver, sentir e produzir conhecimento, atravessados pelas experiências e saberes de corpos-orís-terreirados que nascem a partir do ensino do ethos, da memória e da identidade religiosa afro-brasileira do candomblé. A metodologia da presente pesquisa se fundamenta na auto(orís)etnografia, entendida como prática de escrita de si atravessada pela ancestralidade, pela experiência no terreiro e pela atuação como professores. Esse movimento metodológico rompe com o paradigma ocidental que privilegia a neutralidade e a objetividade, ao reconhecer o corpo como território de memória e o orí como lugar de conhecimento. Os achados reconhecem a importância da Cultura e História Africana e Afro-brasileira (Afrodescendente) como parte integrante e fundamental tanto da Cultura como da História da República Federativa do Brasil. Por conseguinte, reconhece que, nessa aldeia chamada mundo, assumimos modos de ser, reexistir, viver, pensar, saber, fazer, pertencer e crer que nos movem e nos levam a considerar diferentes maneiras de abrolhar, acreditar e adotar saberes outros, da tradição e da ancestralidade africana, afro-brasileira ou amefricana. A pesquisa conclui que a dialogicidade da educação e do saber popular é um dos princípios norteadores que tratamos como fundamentais para que tessituras auto(orí)orientadas na educação – seja na educação básica, seja na educação técnica/ tecnológica e/ou na educação superior, seja fortalecida por movimentos dissidentes com foco na interculturalidade que priorize, através da adoção de encantamentos ancestrais, a promoção de resistências decoloniais.
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