ASPERGILOSE EM SISTEMA NERVOSO CENTRAL DE IMUNOCOMPETENTE: ESTUDO DE CASO
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p946-961Palavras-chave:
Aspergilose cerebral, Aspergillus, abscesso cerebral, voriconazolResumo
Este relato descreve o caso de um paciente masculino de 69 anos, sem uso de medicações contínuas previamente e com histórico de aneurisma cerebral tratado por craniotomia e clipagem a céu aberto em 2018. Em fevereiro de 2024, foi admitido no hospital com queixas de astenia e prostração, além de diagnóstico prévio de abscesso cerebral tratado com antibióticos endovenosos (Ceftriaxona e Metronidazol) sem melhora clínica. A tomografia computadorizada (TC) revelou persistência de múltiplas lesões cerebrais frontais com captação periférica de contraste, sendo necessário ampliar o espectro antimicrobiano (Meropenem e Vancomicina) e, posteriormente, migrar para terapia antifúngica com Anfotericina B e, finalmente, Voriconazol.
Após intervenções cirúrgicas repetidas, incluindo drenagem, desbridamento e remoção de flap ósseo, o diagnóstico de aspergilose cerebral foi confirmado com cultura positiva para Aspergillus. O tratamento com Voriconazol por via oral foi mantido por 12 meses, observando-se melhora clínica e radiológica, com a suspensão do antifúngico em julho de 2025. Durante o acompanhamento, o paciente evoluiu bem, sem sinais de recidiva e com boa recuperação neurológica e independência para atividades de vida diárias.
Discussão: A aspergilose cerebral é uma infecção rara, especialmente em indivíduos imunocompetentes, e sua identificação precoce é desafiadora. Neste caso, a invasão fúngica foi facilitada por múltiplos procedimentos neurocirúrgicos sequenciais, como craniotomia e erosão óssea etmoidal com comunicação à cavidade nasal, que proporcionaram porta de entrada para o Aspergillus. A infecção persistente foi tratada com antifúngicos específicos, sendo o Voriconazol o medicamento de escolha, devido à sua excelente penetração no sistema nervoso central. A associação de tratamento antifúngico prolongado com intervenções cirúrgicas repetidas foi crucial para o controle da infecção e para a melhoria clínica do paciente.
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