TECENDO REFLEXÕES SOBRE AS AUSÊNCIAS/PRESENÇAS DAS MULHERES NA PRODUÇÃO LITERÁRIA E INTELECTUAL NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p1162-1178Palavras-chave:
Mulher. Literatura Brasileira. Semiárido.Resumo
Um breve olhar acerca da produção literária no Brasil evidencia o fato de que, por muito tempo, a mulher ficou excluída desse universo marcadamente masculino. Dessa maneira, o espaço da escrita literária era designado apenas aos homens, considerados os donos legítimos dos “cânones literários”. Contudo, é perceptível que mesmo não tendo o direito de escrever, as mulheres sempre ocuparam lugar de destaque na literatura, ao serem representadas nas literaturas canônicas como personagens de obras que tiveram homens por autores, sendo, portanto, representadas pela voz dos homens. A saber, temos: Capitu, de Machado de Assis em Dom Casmurro; A Moreninha, de Joaquim Manuel Macedo, Iracema, Senhora, Lucíola, todas de José de Alencar, dentre tantas outras. O presente artigo tem por objetivo analisar a presença das mulheres na literatura brasileira, levando com ênfase nas mulheres do território Semiárido. Uma breve análise do romance “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, publicado pela primeira vez em 1938, ilustra o que queremos dizer. Nele, o autor narra a história da retirada de uma família de nordestinos por causa da seca. Por meio de sua narrativa, Ramos (1986) leva o/a leitor/a a entrar em contato com um sertão seco e inóspito. Por essa ótica o Semiárido foi produzido por décadas. Assim, o perfil do homem e da mulher nordestina aparece intimamente ligado a essas imagens, sendo retratado quase sempre pela sua condição de miserabilidade. Isso reforça as relações sociais pautadas a partir dos princípios patriarcais e machistas, sendo o macho o provedor natural do sustento da família.
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