Escalpelamento craniofacial grave secundário a ataque de cães:

relato de caso

Autores

  • Sávio Dornelas Breder Hospital Municipal Dr. Moacyr Rodrigues do Carmo – Rio de Janeiro, RJ, Brasil https://orcid.org/0009-0004-2032-2709
  • Ana Luisa de Castro e Silva Universidade Salgado de Oliveira
  • Letícia Yara Zanzin Rezende Universidade Anhanguera – Uniderp https://orcid.org/0009-0008-2406-8137
  • José Augusto Pinheiro Sperandio Universidade Estadual de Londrina (UEL) – Londrina, PR, Brasil
  • Andreza Calazans Rodrigues Endodontista – INCO25, Niterói, RJ, Brasil
  • Nataly Nascimento Lemos Cavanha Faculdade São Leopoldo Mandic – Campinas, SP, Brasil https://orcid.org/0009-0008-0671-0763
  • Larissa Caroline Cayres Pereira Universidade Santa Cecília, Santos, SP, Brasil; Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas, Santo André, SP, Brasil; Universidade Cruzeiro do Sul, Santo André, SP, Brasil
  • Vlademir Amaral-Cazaroti São Leopoldo Mandic – Campinas, SP, Brasil https://orcid.org/0009-0009-1962-5346
  • Ana Beatriz Hoese Centro Universitário São José https://orcid.org/0009-0005-5123-9622

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p1855-1868

Palavras-chave:

mordida de cão, lesões faciais, escalpelamento, cirurgia reconstrutiva, profilaxia antirrábica

Resumo

As mordidas de cães representam um problema significativo de saúde pública, sobretudo quando acometem a região craniofacial, devido ao elevado risco de infecção, à complexidade das lesões e ao potencial impacto funcional e estético. A força de mordedura de determinadas raças, como pitbulls, está frequentemente associada a ferimentos graves, incluindo avulsões extensas, destruição de tecidos moles e exposição óssea. O presente relato descreve o caso de uma paciente de 52 anos, previamente hígida, que sofreu ataque por dois cães da própria residência, resultando em importante escalpelamento da região parietal direita, lacerações profundas em supercílio direito, avulsão frontal e múltiplas lesões irregulares no dorso nasal. À admissão, encontrava-se hemodinamicamente estável, embora relatasse dor intensa em áreas de mordedura e cefaleia frontoparietal decorrente do trauma agudo. Os sinais vitais demonstravam resposta adrenérgica compatível com quadro doloroso e estressante. Após analgesia intravenosa com dipirona, tramadol e cetoprofeno, procedeu-se à limpeza agressiva das feridas com solução fisiológica, clorexidina degermante e solução aquosa antisséptica em região periocular, seguindo protocolos de descontaminação recomendados na literatura para reduzir risco de infecção polimicrobiana. Considerando a gravidade das lesões e o mecanismo de exposição, iniciou-se imediatamente profilaxia antirrábica completa com soro e vacina, conforme diretrizes nacionais e internacionais. Em centro cirúrgico, sob anestesia geral, realizou-se desbridamento criterioso de tecidos desvitalizados e sutura de aproximação das bordas viáveis, a fim de reduzir área de calota craniana exposta e possibilitar futura reconstrução em estágios. Instituiu-se antibioticoterapia intravenosa com clindamicina e gentamicina, contemplando cobertura para agentes aeróbios e anaeróbios frequentemente implicados em mordidas de cães. A paciente permaneceu internada por cinco dias, evoluindo sem sinais de celulite ou infecção sistêmica, com boa cicatrização inicial e estabilidade clínica. Este caso ressalta a importância de uma abordagem emergencial multidisciplinar, estruturada e baseada em evidências, fundamental para minimizar complicações e otimizar resultados reconstrutivos.

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Publicado

2026-02-21

Como Citar

DORNELAS BREDER, Sávio; DE CASTRO E SILVA, Ana Luisa; YARA ZANZIN REZENDE, Letícia; PINHEIRO SPERANDIO, José Augusto; CALAZANS RODRIGUES, Andreza; NASCIMENTO LEMOS CAVANHA, Nataly; CAROLINE CAYRES PEREIRA, Larissa; AMARAL-CAZAROTI, Vlademir; HOESE, Ana Beatriz. Escalpelamento craniofacial grave secundário a ataque de cães:: relato de caso. Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, Macapá, Brasil, v. 5, n. 1, p. 1855–1868, 2026. DOI: 10.36557/2674-9432.2026v5n1p1855-1868. Disponível em: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/631. Acesso em: 10 maio. 2026.