Escalpelamento craniofacial grave secundário a ataque de cães:
relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p1855-1868Palavras-chave:
mordida de cão, lesões faciais, escalpelamento, cirurgia reconstrutiva, profilaxia antirrábicaResumo
As mordidas de cães representam um problema significativo de saúde pública, sobretudo quando acometem a região craniofacial, devido ao elevado risco de infecção, à complexidade das lesões e ao potencial impacto funcional e estético. A força de mordedura de determinadas raças, como pitbulls, está frequentemente associada a ferimentos graves, incluindo avulsões extensas, destruição de tecidos moles e exposição óssea. O presente relato descreve o caso de uma paciente de 52 anos, previamente hígida, que sofreu ataque por dois cães da própria residência, resultando em importante escalpelamento da região parietal direita, lacerações profundas em supercílio direito, avulsão frontal e múltiplas lesões irregulares no dorso nasal. À admissão, encontrava-se hemodinamicamente estável, embora relatasse dor intensa em áreas de mordedura e cefaleia frontoparietal decorrente do trauma agudo. Os sinais vitais demonstravam resposta adrenérgica compatível com quadro doloroso e estressante. Após analgesia intravenosa com dipirona, tramadol e cetoprofeno, procedeu-se à limpeza agressiva das feridas com solução fisiológica, clorexidina degermante e solução aquosa antisséptica em região periocular, seguindo protocolos de descontaminação recomendados na literatura para reduzir risco de infecção polimicrobiana. Considerando a gravidade das lesões e o mecanismo de exposição, iniciou-se imediatamente profilaxia antirrábica completa com soro e vacina, conforme diretrizes nacionais e internacionais. Em centro cirúrgico, sob anestesia geral, realizou-se desbridamento criterioso de tecidos desvitalizados e sutura de aproximação das bordas viáveis, a fim de reduzir área de calota craniana exposta e possibilitar futura reconstrução em estágios. Instituiu-se antibioticoterapia intravenosa com clindamicina e gentamicina, contemplando cobertura para agentes aeróbios e anaeróbios frequentemente implicados em mordidas de cães. A paciente permaneceu internada por cinco dias, evoluindo sem sinais de celulite ou infecção sistêmica, com boa cicatrização inicial e estabilidade clínica. Este caso ressalta a importância de uma abordagem emergencial multidisciplinar, estruturada e baseada em evidências, fundamental para minimizar complicações e otimizar resultados reconstrutivos.
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