TENDÊNCIAS DA MORTALIDADE MATERNA E FEMININA EM IDADE FÉRTIL NO MUNICÍPIO DE MARABÁ (PA) NOS ANOS DE 2019–2024
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p1938-1952Palavras-chave:
Mortalidade Materna, Mortalidade Feminina em Idade Fértil, EpidemiologiaResumo
A mortalidade materna e feminina ainda é um problema prevalente no Brasil e no mundo, permanecendo como um importante indicador da qualidade da atenção à saúde da mulher. Assim, objetivo do estudo foi delimitar o público materno mais vulnerável à mortalidade em Marabá nos últimos cinco anos, orientando estratégias eficazes de políticas públicas. Trata-se de um estudo epidemiológico retrospectivo e longitudinal que analisou a Mortalidade Materna (MM) e a Mortalidade Feminina em Idade Fértil (MIF) entre 2019 e 2024. Os dados foram obtidos do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM/DATASUS) e submetidos à análise estatística descritiva por meio de gráficos e tabelas. Ressalta-se que os dados de 2024 são preliminares. Houve aumento de 12% na MIF e redução de 40% na MM. O ano de 2020 apresentou elevação de ambas, influenciada pelo aumento de causas indiretas relacionadas à COVID-19. A MIF por causas não presumíveis afetou principalmente mulheres rurais de 40 a 49 anos, enquanto a MIF por causas presumíveis reduziu em 39%. Em 2019 e 2020, a MM ocorreu majoritariamente por causas diretas, enquanto em 2021 houve crescimento de 100% nas mortes por causas indiretas. As faixas etárias mais atingidas foram 20–29 anos para MM e 40–49 anos para MIF, com predominância de óbitos entre mulheres pardas. A mortalidade materna permanece um desafio relevante. Sua redução exige investimentos estruturais, qualificação profissional e políticas voltadas às populações mais vulneráveis.
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