Quis Custodiet Ipsos Custodes? O Controle das Cortes Constitucionais no Mercosul, Europa e Estados Unidos

Autores

  • Júlio Edstron S. Santos
  • Caio Bartine
  • Hitallo R. Panato Passos

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p2105-2146

Palavras-chave:

Cortes Constitucionais; Supremo Tribunal Federal; Controle Judicial; Direito Comparado; Mandatos Fixos.

Resumo

A presente pesquisa se propõe a analisar a complexa estrutura institucional de controle das Cortes Constitucionais no paradigma do Estado Constitucional de Direito. Diante da tensão contemporânea entre a supremacia judicial e a legitimidade democrática — sintetizada no dilema quis custodiet ipsos custodes —, a pesquisa adota o método hipotético-dedutivo e a revisão bibliográfica para fundamentar a necessidade de accountability judicial. Utiliza-se a análise comparada para confrontar a estabilidade do modelo europeu (baseado em mandatos fixos e consenso parlamentar) com a vitaliciedade do modelo norte-americano e as patologias institucionais observadas no Mercosul. Diagnostica-se, no Supremo Tribunal Federal (STF), um cenário de "supremocracia" marcado pela "monocratização" decisória, hipertrofia competencial e exposição midiática excessiva, fatores que corroem a colegialidade e a segurança jurídica. Conclui-se pela imperiosidade de reformas estruturais, especificamente a instituição de mandatos fixos não renováveis, a restrição drástica das decisões monocráticas e a racionalização da competência recursal. Tais medidas são essenciais para transmutar o STF de um arquipélago de individualidades em uma Corte de Precedentes sólida, despersonalizada e fidelizada aos valores republicanos, equilibrando independência e responsabilidade.

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Publicado

2026-02-28

Como Citar

SANTOS, Júlio Edstron S.; BARTINE, Caio; PASSOS, Hitallo R. Panato. Quis Custodiet Ipsos Custodes? O Controle das Cortes Constitucionais no Mercosul, Europa e Estados Unidos. Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, Macapá, Brasil, v. 5, n. 1, p. 2105–2146, 2026. DOI: 10.36557/2674-9432.2026v5n1p2105-2146. Disponível em: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/686. Acesso em: 10 maio. 2026.

Edição

Seção

Ciências Jurídicas e Segurança Pública