Agricultura Tropical de Base Agroecológica versus Agricultura Industrial

a Propósito da Biodiversidade, Sistemas Alimentares e Desenvolvimento Rural.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p2770-2790

Palavras-chave:

Agroecologia, Modelos agrícolas, Revolução verde, Agricultura Industrial.

Resumo

RESUMO

Este artigo tem como objeto a análise comparativa entre a agricultura de base agroecológica e a agricultura industrial. A adoção de modelos tecnológicos de base “industrial” desde o advento da “revolução verde”, se mostrou ao longo das últimas décadas, incapaz de resolver o problema da fome e da oferta de alimentos em quantidade e qualidade para a humanidade, seja pela concentração dos meios de produção, seja pela má distribuição dos alimentos. Fato é que desde o pós-guerra o modelo hegemônico de produção agrícola caracterizado fundamentalmente pelo uso de insumos industrializados e especializado na produção de commodities, tem sido o grande responsável pela redução da biodiversidade nos agroecossistemas e, por conseguinte, do número e do nível de qualidade de cultivos de valor alimentício. Contudo, a Agroecologia se apresenta como uma fundamentação teórica e política capaz de orientar o fortalecimento das estratégias socioeconômicas territoriais, com base em práticas agrícolas de matriz agroecológica que operam sob a ótica da sustentabilidade social, econômica e ambiental. Sua construção teórica e prática fornece, assim, as bases para um novo enfoque de consolidação territorial, sustentado por uma visão ecocêntrica e sistêmica e amparado em dimensões multidimensionais da sustentabilidade socioecológica.

Palavras-chave: Agroecologia, Modelos agrícolas, Revolução verde, Agricultura Industrial.

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Biografia do Autor

Everaldo Batista Rocha, UFRPE

Formação em Agronomia e Licenciatura em Ciências Agrárias pela Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE. Mestrado em Geografia, concentração em Regionalização e Análise Regional na Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Atualmente desenvolve trabalhos de politicas publicas em territórios do meio rural e periurbano em Pernambuco no Nordeste do Brasil . As temáticas mais comuns na sua área de atuação são: agricultura familiar/ agroecologia, desenvolvimento rural sustentável e segurança alimentar. Realiza doutorado em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial na UFRPE.

Ana Maria Dubeux Gervais, UFRPE

Possui Licenciatura Plena Em Pedagogia pela Universidade Federal de Pernambuco (1988), mestrado em Educação pela Universidade de São Paulo (1998), doutorado em Sociologia - Universite de Paris I (Pantheon-Sorbonne) (2004) e realizou estagio pos- doutoral no CIRAD Montpellier, França, UMR Innovation (2009). Atualmente é professora sênior do Departamento de Educação da Universidade Federal Rural de Pernambuco e membro do Nucleo de Agroecologia e Campesinato (NAC) e professora do Programa de Pós-Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial - PPGADT / Polo UFRPE. Fundadora da Incubadora Tecnologica de Cooperativas Populares da UFRPE, atua no acompanhamento de grupos urbanos e rurais na promoção de estratégias de desenvolvimento comunitário, da agroecologia e da economia solidaria a partir de metodologias participativas, inclusive no que se refere às estratégias de planejamento comunitário participativo. Assumindo uma perspectiva de pesquisa-ação, busca articular em suas tematicas de pesquisa a sociologia e a educação, numa perspectiva de resignificação do paradigma de produção de ciência na universidade a partir da logica das epistemologias do sul e da interface possivel e necessaria com a sociedade. Dentre as principais tematicas destacam-se a economia solidaria, a extensão rural e a agroecologia.

Guillermo Gamarra-Rojas , UFC/UFRPE

Possui graduação em AGRONOMIA pela Universidade Federal de Alagoas (1985), mestrado em Ciências Agrárias pela Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia (1994) e doutorado em Biodiversidade pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (2002). Atualmente é professor associado da Universidade Federal do Ceará. Leciona e orienta nos Cursos das Ciências Agrárias (Agronomia, Economia Ecológica, Engenharia de Pesca e Zootecnia), no Programa de Pós-Graduação em Economia Rural e no Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento, da UFC. Atua nas áreas de Agroecologia, Extensão e Desenvolvimento Rural. Tem experiência em elaboração e coordenação de projetos de pesquisa, desenvolvimento, extensão e formação, principalmente nos seguintes temas: agroecologia, agricultura familiar, semiárido, sistemas de produção e agrobiodiversidade.

Jorge Luiz Schirmer de Mattos, UFRPE

Membro da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica. Coordenador do Doutorado Profissional em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial - UFRPE (2018-2023). Graduado em Agronomia pela Universidade de Passo Fundo (1993). Mestre em Zootecnia pela Universidade Federal de Larvas (1995). Doutor em Zootecnia pela Universidade Federal de Viçosa (2001). Realizou estágio pós-doutoral na Universidad Pablo de Olavide, Sevilha - Espanha (2014). É professor Associado IV da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Coordenou o Núcleo de Agroecologia e Campesinato/UFRPE (2009-10). Membro da CPOrg-PE(2014-2018). Lider do Grupo de Pesquisa Agroecologia. Tem experiência em Agroecologia, atuando principalmente nos seguintes temas: transição agroecológica, manejo de agroecossistemas, sistemas de produção de base ecológica, metabolismo social agrário, assentamentos de reforma agrária, extensão rural agroecológica e educação agroecológica.

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Publicado

2026-03-17

Como Citar

BATISTA ROCHA, Everaldo; DUBEUX GERVAIS, Ana Maria; GAMARRA-ROJAS , Guillermo; SCHIRMER DE MATTOS, Jorge Luiz. Agricultura Tropical de Base Agroecológica versus Agricultura Industrial: a Propósito da Biodiversidade, Sistemas Alimentares e Desenvolvimento Rural. Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, Macapá, Brasil, v. 5, n. 1, p. 2770–2790, 2026. DOI: 10.36557/2674-9432.2026v5n1p2770-2790. Disponível em: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/735. Acesso em: 10 maio. 2026.

Edição

Seção

Ciências Agrárias e Medicina Veterinária