Impacto do treinamento prático precoce em suporte avançado de vida cardiovascular no desempenho de estudantes de medicina em cenários simulados de parada cardiorrespiratória.
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p2580-2593Palavras-chave:
Educação médica; Parada cardiorrespiratória; Suporte avançado de vida cardiovascular; Simulação clínica; Treinamento em emergências.Resumo
Introdução: A parada cardiorrespiratória (PCR) representa uma das emergências médicas mais críticas na prática clínica, exigindo reconhecimento imediato, início rápido das manobras de ressuscitação e adequada coordenação da equipe de atendimento. A efetividade da ressuscitação cardiopulmonar depende da aplicação correta dos protocolos de suporte avançado de vida cardiovascular (SAVC), bem como da presença de habilidades não técnicas, como liderança, comunicação e tomada de decisão em situações de alta pressão. Entretanto, em muitos currículos médicos, o treinamento prático em emergências cardiovasculares ocorre tardiamente durante a graduação, o que pode comprometer a preparação dos estudantes diante de situações clínicas críticas.
Objetivo: Avaliar o impacto do treinamento prático precoce em suporte avançado de vida cardiovascular no desempenho de estudantes de medicina em cenários simulados de parada cardiorrespiratória.
Métodos: Foi realizado um estudo quase-experimental comparativo com 117 estudantes de medicina, divididos em grupo intervenção e grupo controle. O grupo intervenção foi submetido precocemente a um treinamento estruturado em SAVC baseado em simulação realística de parada cardiorrespiratória, com ênfase em liderança clínica, comunicação em equipe, tomada de decisão e aplicação dos algoritmos da American Heart Association (AHA). O desempenho dos participantes foi avaliado em cenários simulados padronizados utilizando um checklist estruturado que contemplou postura clínica, tempo para início do atendimento, comunicação verbal, liderança da equipe, tomada de decisão e adequação das condutas aos protocolos vigentes.
Resultados: Após o treinamento precoce, 86% dos estudantes do grupo intervenção relataram aumento significativo na confiança para atuar em cenários de parada cardiorrespiratória. Observou-se também redução expressiva no tempo médio para início do atendimento, que passou a variar entre 10 e 15 segundos após a intervenção. No período pré-intervenção, o tempo médio para início do atendimento era superior a 20 segundos, frequentemente associado a hesitação inicial e condutas desalinhadas com os protocolos recomendados. As principais dificuldades identificadas antes do treinamento estavam relacionadas à liderança da equipe e ao início da abordagem clínica, aspectos que apresentaram melhora consistente após a intervenção educacional estruturada.
Conclusão: O treinamento prático precoce em suporte avançado de vida cardiovascular mostrou-se associado a maior confiança dos estudantes, início mais rápido das intervenções, melhor desempenho em liderança de equipe e maior aderência aos protocolos da American Heart Association em cenários simulados de parada cardiorrespiratória. Esses achados sugerem que a introdução antecipada de práticas estruturadas em emergências cardiovasculares na graduação médica pode contribuir significativamente para o desenvolvimento de competências essenciais à prática clínica segura.
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