Impacto do treinamento prático precoce em suporte avançado de vida cardiovascular no desempenho de estudantes de medicina em cenários simulados de parada cardiorrespiratória.

Autores

  • João Pedro Gomes de Oliveira
  • Diego Carvalho Ferreira
  • Arthur Gomes Scarpellini

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p2580-2593

Palavras-chave:

Educação médica; Parada cardiorrespiratória; Suporte avançado de vida cardiovascular; Simulação clínica; Treinamento em emergências.

Resumo

Introdução: A parada cardiorrespiratória (PCR) representa uma das emergências médicas mais críticas na prática clínica, exigindo reconhecimento imediato, início rápido das manobras de ressuscitação e adequada coordenação da equipe de atendimento. A efetividade da ressuscitação cardiopulmonar depende da aplicação correta dos protocolos de suporte avançado de vida cardiovascular (SAVC), bem como da presença de habilidades não técnicas, como liderança, comunicação e tomada de decisão em situações de alta pressão. Entretanto, em muitos currículos médicos, o treinamento prático em emergências cardiovasculares ocorre tardiamente durante a graduação, o que pode comprometer a preparação dos estudantes diante de situações clínicas críticas.

Objetivo: Avaliar o impacto do treinamento prático precoce em suporte avançado de vida cardiovascular no desempenho de estudantes de medicina em cenários simulados de parada cardiorrespiratória.

Métodos: Foi realizado um estudo quase-experimental comparativo com 117 estudantes de medicina, divididos em grupo intervenção e grupo controle. O grupo intervenção foi submetido precocemente a um treinamento estruturado em SAVC baseado em simulação realística de parada cardiorrespiratória, com ênfase em liderança clínica, comunicação em equipe, tomada de decisão e aplicação dos algoritmos da American Heart Association (AHA). O desempenho dos participantes foi avaliado em cenários simulados padronizados utilizando um checklist estruturado que contemplou postura clínica, tempo para início do atendimento, comunicação verbal, liderança da equipe, tomada de decisão e adequação das condutas aos protocolos vigentes.

Resultados: Após o treinamento precoce, 86% dos estudantes do grupo intervenção relataram aumento significativo na confiança para atuar em cenários de parada cardiorrespiratória. Observou-se também redução expressiva no tempo médio para início do atendimento, que passou a variar entre 10 e 15 segundos após a intervenção. No período pré-intervenção, o tempo médio para início do atendimento era superior a 20 segundos, frequentemente associado a hesitação inicial e condutas desalinhadas com os protocolos recomendados. As principais dificuldades identificadas antes do treinamento estavam relacionadas à liderança da equipe e ao início da abordagem clínica, aspectos que apresentaram melhora consistente após a intervenção educacional estruturada.

Conclusão: O treinamento prático precoce em suporte avançado de vida cardiovascular mostrou-se associado a maior confiança dos estudantes, início mais rápido das intervenções, melhor desempenho em liderança de equipe e maior aderência aos protocolos da American Heart Association em cenários simulados de parada cardiorrespiratória. Esses achados sugerem que a introdução antecipada de práticas estruturadas em emergências cardiovasculares na graduação médica pode contribuir significativamente para o desenvolvimento de competências essenciais à prática clínica segura.

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Publicado

2026-03-12

Como Citar

OLIVEIRA , João Pedro Gomes de; FERREIRA, Diego Carvalho; SCARPELLINI, Arthur Gomes. Impacto do treinamento prático precoce em suporte avançado de vida cardiovascular no desempenho de estudantes de medicina em cenários simulados de parada cardiorrespiratória. Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, Macapá, Brasil, v. 5, n. 1, p. 2580–2593, 2026. DOI: 10.36557/2674-9432.2026v5n1p2580-2593. Disponível em: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/741. Acesso em: 10 maio. 2026.