Os fluxos e os impasses da Política de Triagem Neonatal da toxoplasmose congênita no estado do Pará
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p2859-2877Palavras-chave:
Programa Nacional de Triagem Neonatal, Toxoplasmose Congênita, Saúde Pública, PediatriaResumo
A triagem neonatal da toxoplasmose congênita (TC) é uma importante ferramenta de rastreio, a qual foi recentemente implementada no estado do Pará, onde há elevada prevalência dessa doença. No entanto, impasses para o cumprimento dos fluxos dessa política impactam negativamente no manejo precoce dos casos notificados. Desse modo, o objetivo do estudo foi identificar as principais dificuldades durante o encaminhamento e o acompanhamento ambulatorial do paciente diagnosticado com TC no serviço centralizado de referência do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) no estado do Pará. É um estudo observacional, descritivo e retrospectivo, realizado a partir dos dados de prontuários físicos de pacientes com diagnóstico confirmado de TC acompanhados no serviço durante novembro de 2024 e novembro de 2025. O tempo médio entre: nascimento-triagem foi de 7,7 dias; triagem-exames confirmatórios foi de 43,9 dias, exames confirmatórios-primeira consulta foi de 22,3 dias. Entre as 52 crianças confirmadas com TC, 87% tiveram menos de 1 consulta/mês com o infectologista. Entre os componentes da equipe multiprofissional, não houve consulta com neurologista e apenas 42% realizaram avaliação com a fonoaudiologia. A procedência das crianças envolvia 32 municipios distribuídos pelo estado, predominando cidades fora da Região Metropolitana de Belém. O deslocamento para assistência especializada foi fator determinante para 37 pacientes utilizarem também o programa de Tratamento Fora do Domicílio (TFD), somando aos outros impasses ao fluxo de atendimento. Portanto, o estudo demonstrou atrasos e dificuldades na efetividade do diagnóstico precoce e da instituição oportuna do tratamento.
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