PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA TUBERCULOSE NA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p4260-4277Palavras-chave:
Tuberculose; População em Situação de Rua; Epidemiologia; Vulnerabilidade Social; Coinfecção TB-HIV.Resumo
A tuberculose (TB) é um grave problema de saúde pública e uma das principais causas de morte por agente infeccioso no Brasil. O adoecimento está relacionado aos fatores sociais de pobreza, afetando de maneira desproporcional os grupos mais vulneráveis. Dentre esses grupos, a população em situação de rua (PSR) se destaca pelo risco de infecção 54 vezes maior do que o da população em geral, o que torna necessário entender seu perfil epidemiológico específico. Esta análise busca investigar a relação entre a tuberculose e a PSR no Brasil, salientando as maiores barreiras à implementação de políticas governamentais e propondo estratégias para o controle da doença. A metodologia envolveu um estudo epidemiológico descritivo, transversal e quantitativo, utilizando informações dos sistemas SINAN e DATASUS. O período analisado foi de 2015 a 2024, considerando variáveis sociodemográficas e a coinfecção por HIV em nível nacional. Os resultados mostraram que, durante o período, houve 39.793 casos de TB identificados na PSR. Notou-se um aumento constante no número de notificações, com um pico acentuado após 2021, subindo de 2.961 para 5.943 casos por ano. O perfil mais comum é formado por homens (32.223 casos), com uma grande concentração na região Sudeste. Ademais, foram registrados 9.803 casos de coinfecção TB-HIV, o que aumenta a gravidade clínica e o risco de morte. A TB na PSR é uma repercussão das desigualdades estruturais e da exclusão social. Mesmo que existam iniciativas como o Consultório na Rua, o auxílio é limitado pela falta de integração entre os serviços de saúde e assistência social. Para combater a doença de forma eficaz, é necessário fortalecer as políticas intersetoriais, implementar equipes multiprofissionais itinerantes e concentrar-se no tratamento diretamente observado. Isso garantirá a adesão e tornará possível a meta de erradicar a doença até 2030.
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