PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA TUBERCULOSE NA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA

Autores

  • Maria Olívia Gomes Fernandes
  • Nathalia Karoline Nunes Ribeiro Machado Lemes
  • Letícia Timóteo Murta
  • Amanda Lemes Quirino
  • Júlia Martins da Silva
  • Bianca Machado Crisóstomo
  • Isadora Furlaneto Freire
  • Iza Mickele Silva Rocha
  • Isabella Mesquita Peixoto
  • Bruno Cassiano de Lima

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p4260-4277

Palavras-chave:

Tuberculose; População em Situação de Rua; Epidemiologia; Vulnerabilidade Social; Coinfecção TB-HIV.

Resumo

A tuberculose (TB) é um grave problema de saúde pública e uma das principais causas de morte por agente infeccioso no Brasil. O adoecimento está relacionado aos fatores sociais de pobreza, afetando de maneira desproporcional os grupos mais vulneráveis. Dentre esses grupos, a população em situação de rua (PSR) se destaca pelo risco de infecção 54 vezes maior do que o da população em geral, o que torna necessário entender seu perfil epidemiológico específico. Esta análise busca investigar a relação entre a tuberculose e a PSR no Brasil, salientando as maiores barreiras à implementação de políticas governamentais e propondo estratégias para o controle da doença. A metodologia envolveu um estudo epidemiológico descritivo, transversal e quantitativo, utilizando informações dos sistemas SINAN e DATASUS. O período analisado foi de 2015 a 2024, considerando variáveis sociodemográficas e a coinfecção por HIV em nível nacional. Os resultados mostraram que, durante o período, houve 39.793 casos de TB identificados na PSR. Notou-se um aumento constante no número de notificações, com um pico acentuado após 2021, subindo de 2.961 para 5.943 casos por ano. O perfil mais comum é formado por homens (32.223 casos), com uma grande concentração na região Sudeste. Ademais, foram registrados 9.803 casos de coinfecção TB-HIV, o que aumenta a gravidade clínica e o risco de morte. A TB na PSR é uma repercussão das desigualdades estruturais e da exclusão social. Mesmo que existam iniciativas como o Consultório na Rua, o auxílio é limitado pela falta de integração entre os serviços de saúde e assistência social. Para combater a doença de forma eficaz, é necessário fortalecer as políticas intersetoriais, implementar equipes multiprofissionais itinerantes e concentrar-se no tratamento diretamente observado. Isso garantirá a adesão e tornará possível a meta de erradicar a doença até 2030.

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Publicado

2026-03-30

Como Citar

FERNANDES, Maria Olívia Gomes et al. PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA TUBERCULOSE NA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA. Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, Macapá, Brasil, v. 5, n. 1, p. 4260–4277, 2026. DOI: 10.36557/2674-9432.2026v5n1p4260-4277. Disponível em: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/812. Acesso em: 10 maio. 2026.