TEMPO, CULTURA CAMPONESA E A TRANSIÇÃO DOS FLUXOS: UM ENSAIO TEÓRICO A PARTIR DAS EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS DE IBITIPOCA (MG)

Autores

  • Bruno Pereira Bedim

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n2p1736-1758

Palavras-chave:

Tempo; Cultura Camponesa; Agricultura; Turismo; Serra de Ibitipoca (MG); Campesinato

Resumo

A partir de evidências empiricas resultantes de pesquisas anteriores do autor na Serra de Ibitipoca (MG), este artigo propõe uma construção teórica e (re)interpretação conceitual dos fenômenos sociais observados, a partir de uma análise crítica – elegendo o ‘tempo’ como categoria analítica fundamental. Tendo em vista os usos e os sentidos culturais do tempo, o artigo discute a experimentação de ritmos diferenciados de tempo verificados numa formação social e econômica especifica presente na Serra de Ibitipoca (MG) – um contexto de reestruturação da esfera produtiva: a transição econômica da agricultura de subsistência para o turismo. Assim como na ‘lógica do tempo’ da agricultura, demonstra-se como o turismo se  (re) produz a partir da disparidade entre o tempo de trabalho e o de produção. No universo que permeia a temporalidade camponesa, a marcação do tempo advém de fenômenos naturais cíclicos. Por sua vez, o tempo do turismo se atrela diretamente ao calendário urbano-industrial, ao tempo de não-trabalho do turista, à incidência de feriados prolongados e ao ritmo da esfera produtiva nas grandes metrópoles. A partir do momento que as mudanças e os sentidos dos usos culturais do tempo são conhecidos, torna-se possível mapear o padrão de interdependência do “presente” eminentemente “turístico” em relação a um “passado” predominantemente “camponês” que ainda está atuando sobre os espaços, indivíduos e grupos sociais. Da articulação produtiva que define a prestação de serviços diretos ou indiretos ligados ao turismo às formas mais elementares de interação entre o homem e a terra (o camponês e seus meios de produção): eis as esferas produtivas que compõem a atual conjuntura histórico-social de Ibitipoca, contexto permeado por permanências e mudanças; diferenças e contradições.

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Publicado

2025-12-29

Como Citar

BEDIM , Bruno Pereira. TEMPO, CULTURA CAMPONESA E A TRANSIÇÃO DOS FLUXOS: UM ENSAIO TEÓRICO A PARTIR DAS EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS DE IBITIPOCA (MG) . Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, Macapá, Brasil, v. 4, n. 2, p. 1736–1758, 2025. DOI: 10.36557/2674-9432.2026v5n2p1736-1758. Disponível em: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/855. Acesso em: 10 maio. 2026.