Desigualdades em saúde e a taxa de utilização de UTI na população pediátrica: reflexos do Índice de Vulnerabilidade Social no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n3p834-853Resumo
Introdução: As desigualdades sociais e estruturais na saúde também podem afetar o acesso e o uso de serviços de alta complexidade no Brasil, incluindo Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para pacientes pediátricos. Objetivo: avaliar a associação de indicadores de vulnerabilidade social com a taxa de utilização de UTIs entre a população pediátrica brasileira com base nas unidades federativas do Brasil em 2022–2024. Métodos: Trata-se de um estudo ecológico, analítico e retrospectivo, utilizando todos os estados brasileiros como unidades de análise. A variável dependente foi a taxa de internação em UTI entre pacientes de 0 a 14 anos, determinada como a proporção de admissões em UTI em relação ao total de admissões pediátricas por todas as causas, calculada em média ao longo de 2022–2024 usando dados do SIH/SUS-DATASUS. As variáveis independentes foram baseadas no Atlas de Vulnerabilidade Social de 2022 e incluíram IVS de Capital Humano, índice de Gini, indicadores de saneamento, renda, mortalidade infantil, eletricidade e IDH. Os dados foram analisados descritivamente com Pearson ou Spearman para correlação entre duas variáveis de acordo com a normalidade dos dados, e regressão linear múltipla com verificação das suposições estatísticas até um nível de significância (5%).Resultados: Houve uma taxa média de internação em UTI de 10,19%, com variações regionais significativas, sendo maior no Sul e Sudeste, e menor no Norte e Centro-Oeste. O modelo ajustado para variância explicou 82% (R² = 0,82) das diferenças nos resultados, revelando uma associação positiva entre IVS de Capital Humano e número de admissões em UTI (p = 0,017), associação inversa entre falta de coleta de lixo e desfecho (p = 0,018), e associações positivas significativas entre o Sudeste e o Sul (p = 0,003 e p = 0,003), em comparação com o Centro-Oeste. Conclusão: O uso da UTI pediátrica no Brasil é orientado por fatores sociais e regionais que exigem cautela na interpretação dos resultados, pois podem indicar necessidades de cuidado e acesso desigual a cuidados de maior complexidade.
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