A FORMAÇÃO DO LEITOR LITERÁRIO: PRÁTICAS, MEDIAÇÕES E DISPUTAS SIMBÓLICAS À LUZ DE BOURDIEU, CERTEAU E CHARTIER
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n3p114-132Palavras-chave:
formação do leitor literário; práticas culturais; habitus, apropriaçãoResumo
Esta pesquisa, ancorada em uma perspectiva sociocultural, analisou a formação do leitor literário a partir da articulação entre as contribuições teórico-metodológicas de Bourdieu (1996, 2003, 2007) Certeau (1994) e Chartier (1992, 1998). Articulou-se o viés reflexivo-bibliográfico à análise empírica de quatro aulas de língua portuguesa numa sala de aula de 6º ano do Ensino Fundamental numa escola pública do município de Ourinhos, estado de São Paulo. Partiu-se do pressuposto de que a leitura literária não se reduz a habilidades técnicas, mas funciona como uma prática na qual são perceptíveis as disputas simbólicas por legitimação no jogo relacional entre agentes de diferentes capitais culturais que tensionam o habitus nas relações sociais. Também se tomou a leitura como apropriação por meio da inventividade criativa do leitor em seu fazer cotidiano. Reforçou-se assim a dimensão histórica e material da leitura em sua circulação na formação de comunidades de leitores. Ficou evidente pela análise dos dados da observação que as práticas pedagógicas contribuíram para reproduzir as estruturas dominantes, já que os leitores não puderam recriar o que foi lido nem tiveram seu capital cultural valorizado como agentes criadores de sentido. Essa conjuntura permitiu ponderar a necessidade de mudança de perspectivas e entendimentos da mediação leitora no âmbito escolar na direção de uma formação crítica e emancipadora de leitores de literatura
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