Doenças infectocontagiosas no sistema prisional: uma revisão bibliográfica sobre riscos e estratégias de controle.
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n3p652-670Palavras-chave:
Prisões, Doenças Transmissíveis, Tuberculose, Controle de Doenças Transmissíveis, EpidemiologiaResumo
O sistema prisional brasileiro constitui um ambiente de elevada vulnerabilidade sanitária para a disseminação de doenças infectocontagiosas, em razão de fatores como superlotação, ventilação inadequada, condições sanitárias precárias, acesso limitado aos serviços de saúde e fragilidades na vigilância epidemiológica. Este estudo teve como objetivo analisar os principais fatores de risco e as estratégias de prevenção e controle das doenças infectocontagiosas no sistema prisional brasileiro. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, realizada a partir de estudos científicos publicados entre 2021 e 2026, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês ou espanhol, nas bases Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed e Google Acadêmico. Após o processo de seleção, 11 estudos compuseram a amostra final. Os achados evidenciaram maior destaque para a tuberculose, seguida por infecções como vírus da imunodeficiência humana (HIV), sífilis e hepatites virais. Observou-se que a transmissão desses agravos está relacionada a determinantes estruturais, sociais e assistenciais, além de dificuldades no diagnóstico precoce, na continuidade terapêutica e na completude dos registros epidemiológicos. As principais estratégias identificadas incluíram busca ativa, triagem periódica, testagem rápida, vacinação, educação em saúde, tratamento oportuno e fortalecimento da Atenção Primária Prisional. Conclui-se que o controle dessas doenças exige resposta intersetorial, contínua e integrada ao Sistema Único de Saúde, com foco na prevenção, vigilância, cuidado longitudinal e garantia do direito à saúde da população privada de liberdade.
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