Atuação multiprofissional na implementação do protocolo de dor: revisão sistemática das evidências científicas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n6p470-487

Palavras-chave:

Manejo da dor, Equipe multiprofissional, Protocolos clínicos, Assistência à saúde, Revisão sistemátia, Segurança do paciente

Resumo

Introdução: A dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, multifatorial e complexa, cuja abordagem demanda intervenções interprofissionais contínuas. Embora os protocolos clínicos de dor padronizem rotinas de avaliação e tratamento, sua eficácia depende intrinsecamente do engajamento, da articulação e da sinergia da equipe multiprofissional. Objetivo: Analisar e sintetizar as evidências científicas acerca da atuação da equipe multiprofissional na implementação, adesão e impacto clínico de protocolos estruturados de manejo da dor em serviços de saúde. Metodologia: Revisão sistemática conduzida segundo as diretrizes do PRISMA 2020. A busca bibliográfica foi executada nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, Embase, BVS/LILACS, SciELO e CINAHL, compreendendo estudos primários publicados entre 2014 e 2024. A avaliação da qualidade metodológica e do risco de viés foi efetuada mediante as ferramentas do Joanna Briggs Institute (JBI). Resultados e discussão: Foram incluídos 14 estudos primários (ensaios clínicos randomizados, estudos quase-experimentais do tipo antes e depois, coortes prospectivas e retrospectivas e estudos de caso-controle), conduzidos em nove países, incluindo o Brasil. A implementação de protocolos operados por equipes interprofissionais associou-se à redução dos escores de dor e do consumo de opioides, à diminuição do tempo até a primeira analgesia, à redução do tempo de permanência hospitalar e da duração da ventilação mecânica, à menor incidência de eventos adversos gastrintestinais relacionados a opioides e ao aumento da satisfação dos usuários. As contribuições das disciplinas destacam-se na triagem e reavaliação sistemática conduzida pela enfermagem, na individualização farmacoterapêutica pela medicina e pela farmácia clínica e nas intervenções não farmacológicas conduzidas por fisioterapia, terapia ocupacional e psicologia. Considerações Finais: A consolidação da abordagem multiprofissional em protocolos de dor otimiza os desfechos assistenciais e fortalece a cultura de segurança do paciente, dependendo criticamente do suporte institucional e da educação permanente em saúde.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Kecyani Lima dos Reis, Universidade de Taubaté (UNITAU)

Médica pela Faculdade de Ciências Médicas do Pará . Doutoranda em Ciências da Saúde pela Universidade de Taubaté - SP ( UNITAU) .Possui Título de Mestre pelo Mestrado em Cirurgia e Pesquisa Experimental pela Universidade do Estado do Pará(UEPA). Pós-graduada em Pediatria pela Escola Brasileira de Medicina (Ebramed).

Cesar Mendel Fernandes Ferreira, Faculdade dos Carajás

Enfermeiro. Esp. em Enfermagem em Obstetrícia e Neonatologia - Faculdade do Bico. Esp. em Docência para a Educação Profissional e Tecnológica - IFES. Atualmente é Docente da Faculdade dos Carajás e Enfermeiro Obstetra no Hospital Estadual Materno Infantil de Marabá.

Bruno Antunes Cardoso, Universidade do Estado do Pará (UEPA)

Enfermeiro, graduado em Enfermagem pela Faculdade dos Carajás (Marabá-PA). Especialista em Enfermagem e Saúde do Trabalhador pela Faculdade Bookplay, com formação complementar em Docência do Ensino Superior e Gestão Hospitalar Clínica pela UNIFADESA. Mestrando em Cirurgia e Pesquisa Experimental pela Universidade do Estado do Pará.

Hugo Santana dos Santos Júnior, Universidade do Estado do Pará (UEPA)

Enfermeiro pela Faculdade de Teologia, Filosofia e Ciências Humanas. Especialista em Enfermagem do Trabalho pela Faculdade de São Marcos FSC. Mestrando pelo programa CIPE - Cirurgia e Pesquisa Experimental UEPA - Universidade Estadual do Pará, 2026. 

Wanderson Thiago Santos Noleto, Universidade do Estado do Pará (UEPA)

Graduado no curso de Medicina pela Universidade do Estado do Pará, Marabá, desde 2023. Possui pós-graduação Lato sensu em Pediatria geral, pela AFYA Educação Médica Belém. Atualmente é mestrando em Cirurgia e Pesquisa Experimental pela Universidade do Estado do Pará (UEPA). 

Keise Helaine Moreira da Silva Pinto, Universidade do Estado do Pará (UEPA)

Graduada em Enfermagem pela Universidade do Estado do Pará (2012), especialista em urgência e emergência, (2013), mestranda pelo programa de mestrado profissional em cirurgia e pesquisa experimental-CIPE - UEPA. Atualmente é enfermeira assistencial da prefeitura municipal de Marabá.

Francisco Alves Lima Júnior, Universidade do Estado do Pará (UEPA)

Graduação em Enfermagem pela Universidade Estadual do Maranhão UEMA/CESGRA, especialista em Enfermagem do Trabalho - FACIBRA, Enfermagem em UTI - INESPO e Ativação do Processo de Mudança na Formação Superior de Profissionais de Saúde - ENSP-FIOCRUZ. Mestre Profissional em Cirurgia e Pesquisa Experimental pela Universidade do Estado do Pará - UEPA e Doutor Profissional em Enfermagem pela Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade do Estadual Paulista -FMB/UNESP. Docente do mestrado profissional em cirurgia e pesquisa experimental (CIPE) na Universidade do Estado do Pará-UEPA.

Anderson Bentes de Lima, Universidade do Estado do Pará (UEPA)

Graduado em Farmácia pela Universidade Federal do Pará (2004), mestrado em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal do Pará (2008) e doutorado em Biotecnologia pela Universidade Federal do Pará (2016). Professor adjunto II da Universidade do Estado do Pará. Foi Chefe do Departamento de Morfologia e Ciências Fisiológicas (2021 - 2023) e atualmente é Coordenador do programa de Pós-graduação Profissional em Cirurgia e Pesquisa Experimental.

Vania Maria de Araújo Giaretta, Universidade de Taubaté (UNITAU)

Graduada em Enfermagem pela Universidade de Taubaté (1988), mestrado em Engenharia Biomédica pela Universidade do Vale do Paraíba (2002) e doutorado em Engenharia Biomédica pela Universidade do Vale do Paraíba (2016). Docente da Universidade de Taubaté.

Referências

AROMATARIS, E.; MUNN, Z. (ed.). JBI Manual for Evidence Synthesis. Adelaide: JBI, 2020. DOI: https://doi.org/10.46658/JBIMES-20-01

AUYONG, D. B. et al. Reduced length of hospitalization in primary total knee arthroplasty patients using an updated Enhanced Recovery After Orthopedic Surgery (ERAS) pathway. The Journal of Arthroplasty, v. 30, n. 10, p. 1705-1709, 2015. DOI: https://doi.org/10.1016/j.arth.2015.05.007

BESEN, B. A. M. P. et al. Implantação de um protocolo de manejo de dor e redução do consumo de opioides na unidade de terapia intensiva: análise de série temporal interrompida. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 31, n. 4, p. 447-455, 2019. DOI: https://doi.org/10.5935/0103-507X.20190085

CHEN, J. et al. Impact of a clinical pharmacist-led guidance team on cancer pain therapy in China: a prospective multicenter cohort study. Journal of Pain and Symptom Management, v. 48, n. 4, p. 500-509, 2014. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jpainsymman.2013.10.015

CHEN, K.-J. et al. Effectiveness of collaboration between oncology pharmacists and anaesthesiologists for inpatient cancer pain management: a pilot study in Taiwan. Journal of International Medical Research, v. 49, n. 11, p. 1-10, 2021. DOI: https://doi.org/10.1177/03000605211055415

DING, H. et al. Multidisciplinary intervention incorporating pharmacists in management of opioid-naïve patients with moderate to severe cancer pain. European Journal of Cancer Care, v. 29, n. 3, e13225, 2020. DOI: https://doi.org/10.1111/ecc.13225

GOLD, J. I.; MAHRER, N. E. Is virtual reality ready for prime time in the medical space? A randomized control trial of pediatric virtual reality for acute procedural pain management. Journal of Pediatric Psychology, v. 43, n. 3, p. 266-275, 2018. DOI: https://doi.org/10.1093/jpepsy/jsx129

KEFYALEW, M. et al. Improving the time to pain relief in the emergency department through triage nurse-initiated analgesia: a quasi-experimental study from Ethiopia. African Journal of Emergency Medicine, v. 14, n. 3, p. 174-180, 2024. DOI: https://doi.org/10.1016/j.afjem.2024.06.004

MITRA, S. et al. Does an acute pain service improve the perception of postoperative pain management in patients undergoing lower limb surgery? A prospective controlled non-randomized study. Journal of Anaesthesiology Clinical Pharmacology, v. 36, n. 2, p. 187-194, 2020. DOI: https://doi.org/10.4103/joacp.JOACP_104_19

NEUNHOEFFER, F. et al. Nurse-driven pediatric analgesia and sedation protocol reduces withdrawal symptoms in critically ill medical pediatric patients. Paediatric Anaesthesia, v. 25, n. 8, p. 786-794, 2015. DOI: https://doi.org/10.1111/pan.12649

OLSEN, B. F. et al. Results of implementing a pain management algorithm in intensive care unit patients: the impact on pain assessment, length of stay, and duration of ventilation. Journal of Critical Care, v. 36, p. 207-211, 2016. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jcrc.2016.07.011

PAGE, M. J. et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ, v. 372, n. 71, 2021. DOI: https://doi.org/10.1136/bmj.n71

RAJA, S. N. et al. The revised International Association for the Study of Pain definition of pain: concepts, challenges, and compromises. Pain, v. 161, n. 9, p. 1976-1982, 2020. DOI: https://doi.org/10.1097/j.pain.0000000000001939

SCHNEIDER, S. et al. Effect of an interdisciplinary inpatient program for patients with complex regional pain syndrome in reducing disease activity: a single-center prospective cohort study. Pain Medicine, v. 25, n. 7, p. 452-461, 2024. DOI: https://doi.org/10.1093/pm/pnae021

SKÚLADÓTTIR, H. et al. Pain rehabilitation's effect on people in chronic pain: a prospective cohort study. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 18, n. 19, 10306, 2021. DOI: https://doi.org/10.3390/ijerph181910306

TAVARES, L. R. et al. Is the symptom of pain adequately addressed in hospitalization at Internal Medicine? Cross-sectional study. BrJP, v. 6, n. 3, p. 260-265, 2023. DOI: https://doi.org/10.5935/2595-0118.20230072-en

WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO guidelines for the pharmacological and radiotherapeutic management of cancer pain in adults and adolescents. Genebra: WHO, 2018. ISBN 978-92-4-155039-0. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789241550390. Acesso em: 2 ago. 2026.

YEO, J. et al. Comparison of the analgesic efficacy of opioid-sparing multimodal analgesia and morphine-based patient-controlled analgesia in minimally invasive surgery for colorectal cancer. World Journal of Surgery, v. 46, n. 7, p. 1788-1795, 2022. DOI: https://doi.org/10.1007/s00268-022-06473-5

ZHANG, Q. et al. The impact of ERAS and multidisciplinary teams on perioperative management in colorectal cancer. Pain and Therapy, v. 14, n. 1, p. 201-215, 2025. DOI: https://doi.org/10.1007/s40122-024-00667-6

Downloads

Publicado

2026-08-11

Como Citar

SANTANA DA SILVA CAMPELO, Percilia Augusta et al. Atuação multiprofissional na implementação do protocolo de dor: revisão sistemática das evidências científicas. Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, Macapá, Brasil, v. 5, n. 6, p. 470–487, 2026. DOI: 10.36557/2674-9432.2026v5n6p470-487. Disponível em: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/1367. Acesso em: 17 ago. 2026.