TERRÁRIOS COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO DE ECOLOGIA: UMA EXPERIÊNCIA MULTIDISCIPLINAR NO ENSINO MÉDIO
A Multidisciplinary High School Experience
DOI:
https://doi.org/10.36557/pbpc.v4i2.445Palavras-chave:
Terrários, Interdisciplinaridade, Ensino de Ecologia, Pesquisa-ação, Educação AmbientalResumo
Este estudo analisa o potencial pedagógico do terrário como recurso didático interdisciplinar para o ensino de Ecologia no Ensino Médio, integrando dimensões conceituais, procedimentais e atitudinais. A investigação, fundamentada na abordagem mista (qualitativa e quantitativa), adotou o delineamento da pesquisa-ação, sendo desenvolvida com 92 estudantes de três turmas do 1º ano do Ensino Médio de uma instituição privada, no período de maio a julho de 2025. A intervenção pedagógica consistiu na construção, montagem e monitoramento de microecossistemas fechados em terrários, articulando saberes de Biologia, Química, Física, Matemática, Geografia e Argumentação. Foram coletados dados por meio de observação sistemática, diários de bordo, questionários pré e pós-intervenção, entrevistas semiestruturadas e registros fotográficos, os quais foram analisados mediante estatística descritiva e análise de conteúdo temática. Os resultados demonstram avanços significativos na compreensão de processos ecológicos essenciais, como ciclos biogeoquímicos, relações tróficas e dinâmica de ecossistemas, bem como na aplicação contextualizada de conceitos físico-químicos, aferidos por meio de medições de pH, temperatura e observação de condensação. Identificou-se ainda a formação de atitudes socioambientais críticas, especialmente mediante a simulação de contaminação por resíduos eletrônicos, que provocou a degradação acelerada dos terrários experimentais. A atividade promoveu aprendizagem significativa, efetiva interdisciplinaridade e protagonismo estudantil, além de estimular a reflexão sobre impactos antrópicos. Conclui-se que o terrário, dada sua simplicidade construtiva, baixo custo e versatilidade experimental, configura-se como ferramenta pedagógica eficaz para o desenvolvimento de competências previstas na BNCC (2018), contribuindo para a consolidação de práticas docentes investigativas, contextualizadas e alinhadas aos princípios da Educação Ambiental crítica.
Downloads
Referências
ARAÚJO, L. S.; SIQUEIRA, M. F.; GOMES, P. C. Oficinas com terrários no ensino de ecologia: relato de experiência. Revista de Ensino de Ciências, v. 18, n. 2, p. 112-130, 2023.
AUSUBEL, D. P. Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Plátano, 2003.
BARBIER, René. A pesquisa-ação. Brasília: Liber Livro, 2007.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2011.
BELMIRO, C. A. et al. O terrário como instrumento didático no ensino de ecologia: uma revisão sistemática. Educação em Revista, v. 39, p. 1-20, 2023.
BELL, R. L. et al. Inquiry-based Science Instruction and Student Learning. Science Education, v. 94, n. 5, p. 1-20, 2010.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2018.
BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM). Brasília: MEC, 2012.
CAPRA, F. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. São Paulo: Cultrix, 2006.
CARVALHO, I. C. M. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. São Paulo: Cortez, 2008.
FELIX, J. R.; AVELINO, M. P.; AVELINO, R. S. Protagonismo juvenil e educação ambiental: experiências com terrários em escolas públicas. Revista Brasileira de Educação Ambiental, v. 16, n. 3, p. 45-60, 2021.
GEWANDSZNAJDER, F. Biologia hoje: ecologia e evolução. São Paulo: Ática, 2012.
JACOBI, Pedro R. Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cadernos de Pesquisa, v. 35, n. 124, p. 189-205, 2005.
KOLB, D. A. Experiential learning: experience as the source of learning and development. 2. ed. New Jersey: Pearson, 2014.
KOPITTKE, P. M.; MENZIES, N. W. A review of the use of the basic cation saturation ratio and the “ideal” soil. Soil Science Society of America Journal, v. 71, n. 2, p. 259-265, 2007.
KRASILCHIK, M. Prática de ensino de biologia. 4. ed. São Paulo: Edusp, 2008.
LOUREIRO, C. F. B. Educação ambiental e movimentos sociais: caminhos para a cidadania ecológica. São Paulo: Cortez, 2012.
LUS, A. C.; LEWANDOWSKI, C. R. Adaptações de baixo custo para o ensino de ecologia: o caso do terrário. Ensino de Ciências e Tecnologia em Revista, v. 4, n. 1, p. 33-48, 2014.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Metodologia científica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
MAIA, R. P.; PEREIRA, A. L.; SOUSA, G. C. Metodologias STEAM no ensino médio: integração de ciências, matemática e tecnologia. Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia, v. 17, n. 1, p. 55-78, 2024.
MENDES, J. L. et al. O uso do terrário como recurso didático na educação básica: uma revisão integrativa. Ciência & Educação, v. 25, n. 2, p. 210-225, 2019.
MIRANDA, A. C.; LAZZARI, M. O uso do terrário no ensino de ecossistemas: uma proposta interdisciplinar. Revista de Educação em Ciências, v. 7, n. 2, p. 45-62, 2012.
MOTA, S. P. et al. Diversificação de práticas pedagógicas no ensino de ciências: impactos na motivação discente. Educação em Foco, v. 27, n. 1, p. 89-107, 2024.
ODUM, E. P.; BARRETT, G. W. Fundamentos de ecologia. 5. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2011.
ONU. Global E-waste Monitor 2020. United Nations University, 2020.
PACHECO, D.; GOMES, L.; LIMA, R. Interdisciplinaridade no ensino de ciências: práticas e desafios. Revista Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências, v. 13, n. 3, p. 201-219, 2011.
POZO, J. I.; CRESPO, M. A aprendizagem e o ensino de ciências: do conhecimento cotidiano ao conhecimento científico. Porto Alegre: Artmed, 2009.
ROSA, M. I. P. Terrários e educação ambiental: uma proposta para o ensino fundamental. Curitiba: Appris, 2009.
SANTOS, F. R. et al. Atividades investigativas com terrários no ensino de ciências: relato de experiência. Revista Contemporânea de Educação, v. 13, n. 28, p. 155-170, 2018.
SAUVÉ, L. Educação ambiental: possibilidades e limitações. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 2, p. 317-322, 2005.
THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Cecília Comelli Brock, Gabriel Steinbach da Fontoura, Isabela Costa de Almeida, Levi De Grandi Rosa, Maria Luiza Razera, Manoel de Bem Jordani, Charles Batista de Oliveira , Helga Elly Gruber Batista , Henrique Klemer, Keline Gruber dos Santos de Souza, Mara Pereira de Vargas Mendes, Marcio Fraiberg Machado

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Você tem o direito de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
- Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
- O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
- Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado , prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas . Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.