FORMAÇÃO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO: SISTEMA PLANTATION E BIOMAS
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n1p1752-1768Palavras-chave:
Organização territorial; Sistema Plantation; Biomas brasileiros; Agronegócio.Resumo
O artigo analisa o sistema plantation como modelo econômico estruturante da formação do território brasileiro, compreendendo-o para além de sua dimensão produtiva colonial e interpretando-o como matriz histórico-espacial de longa duração. Fundamentado na economia política e na geografia crítica, o estudo articula as contribuições teóricas de Caio Prado Jr. (2000), David Harvey (2013; 2004), Milton Santos (2006) e Bertha Becker (2013; 2005) para interpretar a relação entre expansão capitalista, produção do espaço e apropriação da natureza no Brasil. A metodologia aplica foi a revisão bibliográfica e análise de dados disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, MapBiomas, Instituto Nacional de Pesquisas – INPE, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa e outros. Os resultados indicam que o sistema plantation estruturou padrões duradouros de concentração fundiária, especialização produtiva regional e ocupação seletiva dos biomas, influenciando a expansão histórica das fronteiras agrícolas. Evidencia-se que o agronegócio contemporâneo representa uma reconfiguração tecnológica e financeira dessa lógica histórica, mantendo processos de pressão sobre os recursos naturais e desigualdades territoriais. Conclui-se que a compreensão da formação territorial brasileira exige a análise das permanências estruturais do modelo agroexportador para interpretar as dinâmicas atuais de uso do solo e transformação ambiental no país.
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