A relação do uso não prescrito de psicoestimulantes e suas implicações na saúde mental de estudantes do ensino Superior: revisão integrativa da literatura
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n3p545-573Palavras-chave:
Psicoestimulantes, Estudantes universitários., Saúde mental., Metilfenidato., Ensino superior.Resumo
O uso não prescrito de psicoestimulantes por estudantes universitários tem se tornado uma prática cada vez mais discutida no contexto acadêmico, especialmente diante das exigências de produtividade, desempenho e competitividade presentes no ensino superior. Nesse cenário, substâncias como metilfenidato, lisdexanfetamina e modafinil são frequentemente utilizadas sem acompanhamento médico, com a expectativa de melhorar a concentração, reduzir o cansaço e ampliar o rendimento nos estudos. Este artigo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, as evidências científicas sobre o uso não prescrito de psicoestimulantes entre universitários e suas relações com a saúde mental e o desempenho acadêmico. A busca foi realizada nas bases LILACS, SciELO, Google Acadêmico e BVS, utilizando descritores relacionados a psicoestimulantes, estudantes universitários, saúde mental e desempenho acadêmico. Foram identificados 972 registros, dos quais 25 estudos compuseram a amostra final, mediante os critérios de inclusão e exclusão, conforme as etapas do fluxograma PRISMA 2020. Os resultados indicaram que o uso não prescrito dessas substâncias está associado a fatores como pressão acadêmica, sobrecarga de estudos, busca por melhor rendimento, automedicação e influência de pares. Embora muitos estudantes relatam benefícios imediatos, como maior atenção e disposição, os estudos também apontam riscos importantes, incluindo ansiedade, insônia, irritabilidade, dependência, efeitos cardiovasculares e prejuízos ao bem-estar psicológico. Conclui-se que o uso não prescrito de psicoestimulantes no ensino superior constitui um fenômeno complexo, atravessado por dimensões acadêmicas, sociais e subjetivas, exigindo ações educativas, preventivas e institucionais voltadas à promoção da saúde mental universitária.
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