Afeto Rompido e Violência Extrema: Distinções Forenses entre o Transtorno de Personalidade Borderline e a Psicopatia na Análise Contextual do Caso Elize Matsunaga
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n6p390-427Keywords:
Psicologia Forense; Psiquiatria Forense; Transtorno de Personalidade Borderline; Psicopatia; Saúde Mental; Crimes ViolentosAbstract
Os transtornos de personalidade representam importante desafio para a Psiquiatria e a Psicologia Forense, especialmente quando associados à análise de crimes violentos de grande repercussão social. Entre essas condições, o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e a psicopatia compartilham algumas manifestações comportamentais, como impulsividade e dificuldades nas relações interpessoais, porém diferem significativamente quanto à estrutura da personalidade, ao processamento emocional, à empatia, ao vínculo afetivo e aos mecanismos motivacionais envolvidos na prática de atos violentos. O presente estudo tem como objetivo analisar, sob a perspectiva da saúde mental e da psiquiatria forense, as distinções entre o Transtorno de Personalidade Borderline e a psicopatia, utilizando como estudo de caso contextual o homicídio de Marcos Kitano Matsunaga, atribuído a Elize Matsunaga. Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter descritivo, desenvolvido por meio de revisão narrativa da literatura associada à análise documental de informações públicas sobre o caso. Foram consultadas bases científicas nacionais e internacionais, além de documentos jurídicos e literatura especializada em psiquiatria forense, criminologia e psicologia criminal. A análise demonstra que impulsividade, instabilidade afetiva e reatividade emocional, frequentemente associadas ao TPB, diferem substancialmente dos traços nucleares da psicopatia, caracterizados por frieza afetiva, manipulação interpessoal, ausência de remorso e reduzida responsividade emocional. Conclui-se que a interpretação forense de crimes violentos exige avaliação clínica individualizada, evitando diagnósticos retrospectivos ou simplificações baseadas exclusivamente na gravidade da conduta criminosa.
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