EDUCAÇÃO, INOVAÇÃO E DESIGUALDADE: A TECNOLOGIA EDUCACIONAL APROFUNDA OU REDUZ AS DESIGUALDADES SOCIAIS?
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n6p716-737Abstract
A incorporação de tecnologias digitais nos sistemas educacionais tem sido amplamente defendida como estratégia de inovação pedagógica e democratização do acesso ao conhecimento. Entretanto, esse discurso otimista convive com evidências crescentes de que a tecnologia educacional pode também aprofundar desigualdades sociais historicamente consolidadas. Este artigo analisa criticamente a ambivalência da tecnologia educacional, problematizando se suas aplicações contribuem para a redução ou para o agravamento das desigualdades educacionais. A partir de uma revisão bibliográfica crítica, fundamentada em autores contemporâneos da sociologia da educação, dos estudos críticos da tecnologia e das políticas educacionais, discute-se como fatores estruturais — como classe social, capital cultural, acesso à infraestrutura, formação docente e governança algorítmica — condicionam os efeitos da inovação tecnológica na educação. Argumenta-se que a tecnologia, longe de ser neutra, carrega valores, interesses econômicos e racionalidades políticas que moldam seus usos pedagógicos. Ao mesmo tempo, reconhece-se que, em determinadas condições institucionais e pedagógicas, as tecnologias podem ampliar oportunidades educativas, favorecer práticas inclusivas e fortalecer processos de aprendizagem colaborativa. O texto defende que a centralidade do debate não deve residir na tecnologia em si, mas nos projetos educacionais e sociais que orientam sua implementação. Conclui-se que a tecnologia educacional tende a reproduzir desigualdades quando inserida em contextos marcados por precarização, meritocracia e lógica de mercado, mas pode contribuir para sua redução quando articulada a políticas públicas comprometidas com justiça social, equidade e formação crítica.
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