INFECÇÕES RELACIONADAS À ASSISTÊNCIA À SAÚDE EM PACIENTES POLITRAUMATIZADOS: FATORES DE RISCO, RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA E IMPACTO NA MORTALIDADE
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n6p674-697Keywords:
Infecção Hospitalar. Traumatismo Múltiplo. Resistência Antimicrobiana. Unidade de Terapia Intensiva. Mortalidade.Abstract
As infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) representam importante desafio para a segurança do paciente e podem assumir particular gravidade entre indivíduos politraumatizados, devido à associação entre lesões extensas, resposta inflamatória sistêmica, necessidade de intervenções invasivas, procedimentos cirúrgicos, internação prolongada e exposição frequente a antimicrobianos. O presente estudo tem como objetivo analisar os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de IRAS em pacientes politraumatizados, discutir a participação da resistência antimicrobiana nesse contexto e avaliar suas repercussões sobre complicações clínicas, tempo de internação e mortalidade. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, fundamentada em estudos nacionais e internacionais e documentos institucionais relacionados à epidemiologia das IRAS, trauma, cuidados intensivos, prevenção e controle de infecções e resistência antimicrobiana. Entre as principais infecções observadas em pacientes críticos traumatizados destacam-se pneumonia associada à ventilação mecânica, infecção da corrente sanguínea associada a cateter, infecção do trato urinário associada a dispositivos e infecção de sítio cirúrgico. A gravidade das lesões, ventilação mecânica prolongada, presença de dispositivos invasivos, múltiplas cirurgias, transfusões, permanência prolongada em unidade de terapia intensiva e exposição antimicrobiana constituem fatores relevantes para o risco infeccioso. A emergência e disseminação de microrganismos multirresistentes dificultam a escolha do tratamento empírico e definitivo, podendo favorecer inadequação terapêutica, prolongamento da internação, aumento dos custos e piores desfechos clínicos. Conclui-se que a prevenção das IRAS em pacientes politraumatizados exige abordagem multiprofissional baseada em vigilância epidemiológica, adesão às medidas de prevenção, manejo adequado dos dispositivos invasivos, diagnóstico microbiológico oportuno e programas de gerenciamento do uso de antimicrobianos. A integração entre assistência ao trauma, prevenção e controle de infecções e antimicrobial stewardship constitui estratégia fundamental para reduzir complicações e mortalidade nessa população.
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