FÁBULAS E CONTOS AFRICANOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: CAMINHOS INTERCULTURAIS E ANTIRRACISTAS PARA O CURRÍCULO AFRODESCENDENTE
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n3p1333-1365Palabras clave:
Educação Infantil; Literatura Africana; Educação Antirracista; Interculturalidade; Lei 10.639/03.Resumen
Este artigo apresenta um recorte do projeto PIBIC/CNPq PVFP 1371-2025 e analisa cinco narrativas africanas como caminhos de mediação intercultural e antirracista na Educação Infantil. O problema é a persistência da invisibilização de fábulas, contos e mitos africanos e amefricanos nas práticas pedagógicas com crianças de 4 a 6 anos, apesar da Lei 10.639/03 e da Lei 11.645/08. Metodologicamente, trata-se de pesquisa documental com análise à luz da Metodologia da Afrodescendência de Cunha Junior (2006; 2008). O corpus reúne fábulas e contos de África do Sul, Benin, Botsuana, Guiné Equatorial e Namíbia. Os resultados indicam que essas narrativas operam como pedagogias de desobediência, tensionando o currículo oculto que naturaliza a obediência euro-ocidental. Conclui-se que a mediação intercultural dessas histórias contribui para o cumprimento efetivo das leis antirracistas na Educação Infantil, devolvendo às crianças negras, quilombolas, indígenas e periféricas o direito à memória e à astúcia como ferramentas de sobrevivência.
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