Infecção Bacteriana Secundária em Pacientes com COVID-19 Hospitalizados: impactos na mortalidade, resistência antimicrobiana e desafios para o controle de infecção hospitalar
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n5p1114-1137Palabras clave:
COVID-19. Infecção bacteriana secundária. Resistência antimicrobiana. Infecção hospitalar. Segurança do paciente. Unidade de Terapia Intensiva.Resumen
A pandemia da Coronavirus (COVID-19), causada pelo vírus SARS-CoV-2, representou um dos maiores desafios sanitários do século XXI, produzindo profundas repercussões sobre os sistemas de saúde em escala global. Embora a infecção viral constitua a principal causa das manifestações clínicas da doença, evidências científicas demonstram que pacientes hospitalizados, especialmente aqueles internados em unidades de terapia intensiva (UTI), apresentam elevado risco para o desenvolvimento de infecções bacterianas secundárias, as quais estão associadas ao aumento da mortalidade, do tempo de internação, da necessidade de ventilação mecânica, dos custos hospitalares e da emergência de microrganismos multirresistentes. O uso empírico e, muitas vezes, indiscriminado de antimicrobianos durante a pandemia contribuiu significativamente para o agravamento da resistência bacteriana, tornando o controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) um dos principais desafios enfrentados pelos serviços hospitalares. Este estudo tem como objetivo analisar as evidências científicas acerca das infecções bacterianas secundárias em pacientes hospitalizados com COVID-19, enfatizando seus impactos sobre a mortalidade, a resistência antimicrobiana e os desafios relacionados ao controle de infecção hospitalar. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada nas bases PubMed/MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), SciELO, LILACS, além de documentos publicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC), abrangendo publicações entre 2020 e 2026. Os resultados demonstram que Acinetobacter baumannii, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus figuram entre os principais agentes etiológicos das infecções secundárias, destacando-se elevadas taxas de resistência aos carbapenêmicos, produção de β-lactamases de espectro estendido (ESBL), resistência à meticilina (MRSA) e resistência à vancomicina (VRE). Conclui-se que a prevenção dessas infecções requer fortalecimento dos Programas de Controle de Infecção Hospitalar, vigilância microbiológica contínua, implementação de programas de gerenciamento do uso de antimicrobianos (Antimicrobial Stewardship), educação permanente das equipes multiprofissionais e adoção rigorosa das medidas de prevenção das IRAS.
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