Quando Não Operar é a Melhor Decisão: Limites do Tratamento Conservador em Doenças Cirúrgicas Abdominais

Autores/as

  • Maicon Francis de Paiva Centro Universitário de Belo Horizonte
  • Lucas Mateus Rodrigues de Freitas Universidade Nove de Julho – Campus Vergueiro
  • José Victor Teixeira Soto Centro Universitário de Maringá (UniCesumar) – Médico Graduado
  • Bárbara Malaguti Ricaldoni Universidade José do Rosário Vellano (UNIFENAS) – Belo Horizonte
  • Felipe Gomes Paranhos Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH)
  • Bianca Lopes Corrêa Proost Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE) – Guarujá
  • Vitório Brizola Bozetti Atitus Educação – Passo Fundo (RS) – Médico Graduado
  • Bettina Nasralla Souza Universidade Feevale – Médica Graduada

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n3p810-833

Palabras clave:

Tratamento Conservador, Cirurgia Geral, Abdome Agudo, Manejo Não Operatório, Tomada de Decisão Clínica, Doenças Abdominais

Resumen

A decisão entre intervenção cirúrgica e tratamento conservador constitui um dos pontos mais sensíveis do manejo das doenças abdominais potencialmente cirúrgicas, especialmente em cenários de urgência, fragilidade clínica e disponibilidade variável de recursos. Este artigo apresenta uma revisão narrativa, crítica e descritiva da literatura, baseada em diretrizes clínicas, consensos internacionais, revisões sistemáticas, ensaios clínicos e estudos observacionais relevantes sobre o manejo não operatório de doenças cirúrgicas abdominais. A literatura demonstra que o tratamento conservador pode ser seguro em pacientes selecionados com apendicite não complicada, diverticulite localizada, colecistite em pacientes de alto risco, pancreatite aguda com necrose estéril, obstrução intestinal adesiva sem estrangulamento e trauma abdominal fechado em pacientes hemodinamicamente estáveis. Entretanto, sua segurança depende de diagnóstico adequado, estabilidade fisiológica, ausência de peritonite difusa, monitorização seriada, acesso a exames complementares e capacidade de conversão rápida para intervenção. Instabilidade hemodinâmica, dor progressiva, sepse persistente, peritonite, isquemia, perfuração, sangramento ativo, falha de drenagem ou deterioração laboratorial indicam falha terapêutica. Conclui-se que não operar pode representar uma decisão tecnicamente correta, desde que guiada por critérios objetivos, reavaliação ativa e reconhecimento precoce dos limites da abordagem conservadora.

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Citas

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Publicado

2026-05-11

Cómo citar

FRANCIS DE PAIVA , Maicon; RODRIGUES DE FREITAS, Lucas Mateus; TEIXEIRA SOTO, José Victor; MALAGUTI RICALDONI, Bárbara; GOMES PARANHOS, Felipe; LOPES CORRÊA PROOST, Bianca; BRIZOLA BOZETTI, Vitório; NASRALLA SOUZA, Bettina. Quando Não Operar é a Melhor Decisão: Limites do Tratamento Conservador em Doenças Cirúrgicas Abdominais. Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, Macapá, Brasil, v. 5, n. 3, p. 810–833, 2026. DOI: 10.36557/2674-9432.2026v5n3p810-833. Disponível em: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/954. Acesso em: 12 may. 2026.