OS DIFERENTES POSICIONAMENTOS CRÍTICOS DIANTE DAS AÇÕES NECESSÁRIAS PARA IMPULSIONAR A INDÚSTRIA DE BENS DE INFORMÁTICA NAS DÉCADAS DE 70 E 80
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n6p914-929Palavras-chave:
política de informática, reserva de mercado, capacidade de inovação tecnológicaResumo
A década de 1970 marcou o fim do Milagre Econômico e o início do II Plano Nacional de Desenvolvimento. Nesse período, o governo brasileiro iniciou uma variedade de ações com o propósito de conter uma crise da dívida externa que impactou drasticamente as contas nacionais (Lacerda, 2010). No que tange ao setor industrial, ainda permaneciam gargalos produtivos que dificultavam o processo de informatização no Brasil. Até então, o país não dispunha de um parque industrial, composto por fabricantes de computadores e de periféricos, que pudessem suprir a demanda nacional. Consequentemente, o processo de informatização se daria pela importação de equipamentos, em um contexto de crise na balança comercial (Cardi, 2002). Nesse período, as autoridades governamentais optaram pela implementação de uma série de medidas para impulsionar a indústria de bens de informática no Brasil, entre elas, a controversa reserva de mercado. Ressalta-se que as decisões estabelecidas não se limitaram ao conjunto de tecnocratas presentes nas esferas governamentais, pois envolveram a participação de diferentes atores institucionais (Iachan, 2015). Diante desse contexto, visou-se identificar os diferentes posicionamentos críticos de atores relevantes que, possivelmente, influenciaram a elaboração da I Política Nacional de Informática. Para tanto, buscou-se, na presente pesquisa, resgatar, em matérias de jornais e revistas publicadas entre 1978 e 1984, os argumentos favoráveis e contrários às medidas de restrição de importação, assim como as demais ações necessárias para impulsionar o setor de bens de informática. Dentre os resultados, constatou-se a defesa da Reserva de Mercado por parte dos fabricantes de bens de informática, em contraponto às críticas apresentadas pelas multinacionais e entidades representativas de usuários de tecnologia. Por outro lado, verificou-se posicionamentos convergentes e complementares em relação às demais ações necessárias para assegurar a capacidade de inovação tecnológica, tais como: (1) Disponibilidade de fomento público às atividades de pesquisa e desenvolvimento; (2) Cooperações tecnológicas entre empresas e universidades; (3) Formação de recursos humanos e outras.
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