CARTOGRAFIAS DO INVISÍVEL: CONTRADIÇÕES ENTRE A IDENTIFICAÇÃO DAS ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO E AS POLÍTICAS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n3p1958-1989Resumo
O artigo “Cartografias do Invisível” analisa as contradições presentes nas políticas educacionais brasileiras voltadas às Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), com ênfase nas tensões entre as normativas da educação inclusiva e sua operacionalização no contexto escolar. A pesquisa, de caráter narrativo e histórico-documental, discute como a hegemonia do modelo biomédico e disputas ideológicas influenciaram os processos de identificação desses estudantes, resultando em lacunas estruturais e desafios à autonomia do saber pedagógico. Um ponto central da discussão é a Nota Técnica nº 04/2014, que orienta a desobrigatoriedade do laudo médico para o Atendimento Educacional Especializado (AEE). Contudo, o estudo evidencia um paradoxo: embora a normativa proponha a desmedicalização da educação, o sistema Educacenso mantém campos obrigatórios que exigem a tipificação diagnóstica para o registro escolar e o repasse de recursos. Esse descompasso entre o “mapa” normativo e o “território” escolar produz tensões administrativas e dificuldades no acesso a direitos educacionais e assistenciais. O texto defende a valorização da avaliação pedagógica no processo de identificação das AH/SD e discute a necessidade de revisão dos critérios de cadastramento no Educacenso. Conclui-se que a superação da invisibilidade histórica das AH/SD exige maior articulação entre as políticas educacionais, os sistemas de registro e os processos intersetoriais de atendimento, garantindo uma educação comprometida com a equidade e o desenvolvimento de talentos.
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