LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA EM SÃO PAULO: REVELANDO OS DESAFIOS DO DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E VIGILÂNCIA EM ÁREA URBANA NÃO ENDÊMICA

Autores

  • Carla Beatriz Fagundes Martins
  • Diego Ferreira da Silva Universidade de São Paulo- USP
  • Tamara Leite Cortez
  • Debora Rhayanne Medeiros Matias
  • Vanessa Aparecida Feijó de Souza
  • Záfia Cristina Pottmaier Caetano
  • Luciana Marques de Barros
  • Tarley Santos Oliveira
  • Giovanna Taccani Damiani
  • Alessandra Marnie Martins Gomes de Castro

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n2p233-246

Resumo

A leishmaniose visceral canina (LVC), causada por Leishmania infantum, é uma zoonose de alta relevância para a saúde pública, especialmente devido ao papel dos cães como principal reservatório doméstico. Objetivo: Este estudo teve como objetivo descrever os aspectos epidemiológicos, clínicos e diagnósticos dos casos de LLC relatados na Cidade de São Paulo, uma área urbana considerada não endêmica. Métodos: Este foi um estudo retrospectivo transversal baseado em dados secundários fornecidos pelo Centro de Controle de Zoonose (CCZ), abrangendo o período de 2019 a 2021. Um total de 68 cães com pelo menos um teste laboratorial positivo foi incluído. As variáveis analisadas incluíram características demográficas, sinais clínicos, métodos diagnósticos utilizados e abordagens terapêuticas adotadas. O diagnóstico seguiu o protocolo recomendado pelo Ministério da Saúde do Brasil, utilizando testes sorológicos sequenciais — Plataforma de Caminho Duplo (DPP®) e Ensaio de Imunossorção Ligada a Enzimas (ELISA) — e, em 88,1% dos casos, testes complementares como Ensaio de Imunofluorescência Indireta (IFA), Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), citologia e aspiração de medula óssea. Resultados: Durante o período do estudo, 76 casos de LCV foram reportados à CCZ, dos quais 68 foram confirmados por meio de testes laboratoriais, todos considerados importados de municípios endêmicos. A idade média dos cães afetados foi de 6,8 anos, sendo os cães mestiços os mais representados (45,59%). As manifestações clínicas mais frequentes incluíram alterações dermatológicas, perda de peso e linfadenomegalia, embora casos assintomáticos também tenham sido observados. Apesar das limitações econômicas, 53,45% dos proprietários optaram pelo tratamento, destacando uma preferência pelo manejo terapêutico em detrimento da eutanásia. No entanto, a ausência de um protocolo estruturado de acompanhamento pós-tratamento dificulta a avaliação da eficácia terapêutica e da possível recorrência da infecção. Conclusão: Esses achados ressaltam a importância de fortalecer as medidas de vigilância e prevenção, com ênfase no controle de vetores por meio do uso de colares impregnados com inseticida. Pesquisas adicionais são essenciais para melhorar os protocolos diagnósticos e de tratamento e apoiar estratégias de controle mais eficazes para a LVC em áreas urbanas não endêmicas.

 

Palavras-chave: Leishmania infantum; epidemiologia; doença zoonótica; Uma Saúde; Doenças transmitidas por vetores.

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Publicado

2026-04-03

Como Citar

MARTINS, Carla Beatriz Fagundes et al. LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA EM SÃO PAULO: REVELANDO OS DESAFIOS DO DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E VIGILÂNCIA EM ÁREA URBANA NÃO ENDÊMICA . Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, Macapá, Brasil, v. 5, n. 2, p. 233–246, 2026. DOI: 10.36557/2674-9432.2026v5n2p233-246. Disponível em: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/747. Acesso em: 27 abr. 2026.