LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA EM SÃO PAULO: REVELANDO OS DESAFIOS DO DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E VIGILÂNCIA EM ÁREA URBANA NÃO ENDÊMICA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n2p233-246Resumo
A leishmaniose visceral canina (LVC), causada por Leishmania infantum, é uma zoonose de alta relevância para a saúde pública, especialmente devido ao papel dos cães como principal reservatório doméstico. Objetivo: Este estudo teve como objetivo descrever os aspectos epidemiológicos, clínicos e diagnósticos dos casos de LLC relatados na Cidade de São Paulo, uma área urbana considerada não endêmica. Métodos: Este foi um estudo retrospectivo transversal baseado em dados secundários fornecidos pelo Centro de Controle de Zoonose (CCZ), abrangendo o período de 2019 a 2021. Um total de 68 cães com pelo menos um teste laboratorial positivo foi incluído. As variáveis analisadas incluíram características demográficas, sinais clínicos, métodos diagnósticos utilizados e abordagens terapêuticas adotadas. O diagnóstico seguiu o protocolo recomendado pelo Ministério da Saúde do Brasil, utilizando testes sorológicos sequenciais — Plataforma de Caminho Duplo (DPP®) e Ensaio de Imunossorção Ligada a Enzimas (ELISA) — e, em 88,1% dos casos, testes complementares como Ensaio de Imunofluorescência Indireta (IFA), Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), citologia e aspiração de medula óssea. Resultados: Durante o período do estudo, 76 casos de LCV foram reportados à CCZ, dos quais 68 foram confirmados por meio de testes laboratoriais, todos considerados importados de municípios endêmicos. A idade média dos cães afetados foi de 6,8 anos, sendo os cães mestiços os mais representados (45,59%). As manifestações clínicas mais frequentes incluíram alterações dermatológicas, perda de peso e linfadenomegalia, embora casos assintomáticos também tenham sido observados. Apesar das limitações econômicas, 53,45% dos proprietários optaram pelo tratamento, destacando uma preferência pelo manejo terapêutico em detrimento da eutanásia. No entanto, a ausência de um protocolo estruturado de acompanhamento pós-tratamento dificulta a avaliação da eficácia terapêutica e da possível recorrência da infecção. Conclusão: Esses achados ressaltam a importância de fortalecer as medidas de vigilância e prevenção, com ênfase no controle de vetores por meio do uso de colares impregnados com inseticida. Pesquisas adicionais são essenciais para melhorar os protocolos diagnósticos e de tratamento e apoiar estratégias de controle mais eficazes para a LVC em áreas urbanas não endêmicas.
Palavras-chave: Leishmania infantum; epidemiologia; doença zoonótica; Uma Saúde; Doenças transmitidas por vetores.
Downloads
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Carla Beatriz Fagundes Martins, Diego Ferreira da Silva, Tamara Leite Cortez, Debora Rhayanne Medeiros Matias, Vanessa Aparecida Feijó de Souza, Záfia Cristina Pottmaier Caetano, Luciana Marques de Barros, Tarley Santos Oliveira, Giovanna Taccani Damiani, Alessandra Marnie Martins Gomes de Castro

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Você tem o direito de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
- Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
- O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
- Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado , prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas . Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.