UM PANORAMA DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E DA IMPLANTAÇÃO DA ASSISTÊNCIA MATERNA HUMANIZADA NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n2p278-291Palavras-chave:
Assistência Materno-Infantil, Humanização dos Serviços, Rede-CegonhaResumo
Introdução: A assistência qualificada ao parto é fundamental para a promoção da saúde materno-infantil, entretanto, a persistência da violência obstétrica representa um importante desafio à qualidade do cuidado. Caracterizada por práticas de desrespeito, negligência e intervenções sem consentimento, essa problemática reflete fragilidades estruturais e institucionais dos serviços de saúde. Nesse contexto, a assistência materna humanizada surge como estratégia para promover cuidado centrado na mulher e melhorar os desfechos obstétricos. Assim, o presente estudo objetivou analisar o panorama da violência obstétrica e a implementação da assistência humanizada no Brasil. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, com abordagem qualitativa, realizada nas bases PubMed, LILACS e SciELO, incluindo artigos publicados entre 2021 e 2026. Resultado e Discussão: Após aplicação dos critérios de elegibilidade, 25 estudos compuseram a amostra. Os resultados evidenciaram elevada prevalência de violência obstétrica, com estimativas entre 45% e 60% das mulheres relatando experiências de desrespeito durante o parto, especialmente entre grupos socialmente vulneráveis. Além disso, observou-se que práticas humanizadas estão associadas à melhoria da experiência do parto, maior satisfação materna e redução de intervenções desnecessárias. Contudo, sua implementação no Brasil ainda ocorre de forma desigual, com limitações relacionadas à formação profissional e à efetivação das políticas públicas. Considerações finais: Conclui-se que a assistência humanizada constitui estratégia eficaz para o enfrentamento da violência obstétrica, embora ainda sejam necessários avanços estruturais para sua consolidação.
Downloads
Referências
AZEVEDO, R. A. F. Et al., Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento, Vol. 12 Nº 11, 2024. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/43730
CONCEIÇÃO, G. DE J.; FREITAS, A. S.; REIS, L. A. DOS. Panorama da violência obstétrica no Brasil: Uma revisão narrativa. Research, Society and Development, v. 13, n. 10, p. e126131047081, 27 out. 2024. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/47081
DATOR, L. M. et al. Impactos do parto humanizado na saúde materno-infantil: uma análise dos benefícios físicos e emocionais. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 7, n. 10, p. 689–705, 12 out. 2025. Dispónivel em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/
DOMINGUES, R. M. S. M. et al. Mortalidade perinatal, morbidade materna grave e near miss materno: protocolo de um estudo integrado à pesquisa Nascer no Brasil II. Cadernos de Saúde Pública, v. 40, p. e0024822229 abr. 2024. Dispónivel em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38695462/
GUEDES, B. N. et al., Violencia Obstétrica Y Desigualdades Raciales En La Atención Prenatal Y Parto Entre Etnias: Una Revisión Integrativa. Revista foco, v. 18, n. 11, 2025. Disponível em: file:///C:/Users/User/Downloads/FOCO+204.pdf
KASSA, Z. Y. et al. Caesarean childbirth and associated factors during Covid-19 pandemic at public hospitals in the Sidama region, Southern Ethiopia. Ethics, Medicine and Public Health, v. 24, p. 100840, out. 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36065216/
LEAL, M. DO C. et al. Redução das iniquidades sociais no acesso às tecnologias apropriadas ao parto na Rede Cegonha. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, p. 823–835, 15 mar. 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/n8nR78PnmfFQssDDgTggTjz/?format=html&lang=pt
Leal, M. C et al. Protocolo do Nascer no Brasil II: Pesquisa Nacional sobre Aborto, Parto e Nascimento. Cadernos de Saúde Pública [online]. v. 40, n.4 , e00036223. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/csp/2024.v40n4/e00036223/pt/#ModalArticles
LEITE, T. H. et al. Violência obstétrica no estado do Rio de Janeiro: Pesquisa Nascer no Brasil II. Revista de Saúde Pública, v. 59, n. S1, p. e240561, 28 ago. 2025. Dísponivel: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41124511/
LESSA, M. S. DE A. et al. Pré-natal da mulher brasileira: desigualdades raciais e suas implicações para o cuidado. Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, n. 10, p. 3881–3890, out. 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/twSzJkjbDCRB9xdT3HRVrdv/?format=html&lang=pt
PEREIRA, M. et al. OS IMPACTOS DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA NA SAÚDE MENTAL DA MULHER: UMA REVISÃO DA LITERATURA. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 12, p. 2224–2234, 10 dez. 2024. Acesso em 19 de março de 2026. Dispónivel em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/17459
OLIVEIRA, C. et al. Uma revisão sistemática da prevalência e dos tipos da violência obstétrica na saúde e bem-estar das mulheres no Brasil. Research, Society and Development, v. 12, n. 5, p. e8212541526-e8212541526, 5 maio 2023. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/41526
OPAS, Saúde materna. Disponível em: <https://www.paho.org/pt/topicos/saude-materna
OMS. Maternal mortality. Disponível em: <https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/maternal-mortality%20/?
OMS, Trends in Maternal Mortality 2000-2023: Estimates by WHO, UNICEF, UNFPA, World Bank Group and UNDESA/Population Division. Disponível em: <https://www.unfpa.org/publications/trends-maternal-mortality-2000-2023?utm
OMS. WHO Recommendations on Maternal and Newborn Care for a Positive Postnatal Experience. Disponível em: <https://www.who.int/publications/i/item/9789240045989>.
RODRIGUES, D. P. et al. Women’s perception of labor and birth care: obstacles to humanization. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 75, 7 mar. 2022. Acesso em 19 de março de 2026. Dispónivel em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35262563/
Santana, A.T. et al., Racismo obstétrico, um debate em construção no Brasil: percepções de mulheres negras sobre a violência obstétrica. Ciência & Saúde Coletiva [online]. v. 29, n. 09, 2024. Acesso em 19 de março de 2026. Dispónivel em: https://www.scielosp.org/article/csc/2024.v29n9/e09952023/pt/#
SILVA, J. C. O. et al. Impactos da violência obstétrica no Brasil: uma revisão de literatura. Research, Society and Development, v. 12, n. 2, p. e10812239950, 23 jan. 2023. Acesso em 19 de março de 2026. Dispónivel em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/39950
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Analuz do Nascimento Araújo, Francine Dalmaso Tosta, Jaíza Carvalho Batista, João Pedro Pires Ribas Brandão, Maria Eduarda Moreira Pedrosa, Rafaella Ferreira Rocha Santana, Riqueila Nunes Gomide, Luciano de Oliveira Souza Tourinho

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Você tem o direito de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
- Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
- O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
- Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado , prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas . Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.