EDUCAÇÃO INCLUSIVA NA PRÁTICA: TENSÕES ENTRE POLÍTICAS, EPISTEMOLOGIAS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA FORMAÇÃO DOCENTE CONTEMPORÂNEA

Autores

  • Paulo Roberto Ramos
  • Guilherme José Ferreira de Araújo
  • Cláudia Rogéria de Almeida Amorim
  • Mávani Lima Santos Castro
  • Clóvis Manoel Carvalho Ramos
  • Anderson da Costa Armstrong
  • Júlio César Novais Santos
  • Humberto Alencar De Sá
  • Alexsandro Alves da Silva
  • Kelma dos Santos Passos Oliveira
  • Lucimara Silva Torres Santos
  • Edmo Henrique Martins Cavalcante
  • Marcia Efigênia Pereira de Aquino Bartolomeu
  • Cláudio Alberto de Sá Quirino
  • Aline Alves Leite
  • Anne Larice de Esouza Rodrigues Almeida
  • Eliane de Oliveira Torres
  • Andreilto de Almeida Barbosa
  • Neila da Silva Gama
  • Francisca Aline de Oliveira Torres

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n2p1287-1318

Palavras-chave:

Políticas Públicas. Revisão Integrativa. Diversidade. Alteridade. Currículo.

Resumo

A educação inclusiva constitui, nas últimas três décadas, um dos campos mais tensionados da política educacional brasileira e internacional. Embora os marcos normativos tenham avançado de forma expressiva desde a Declaração de Salamanca (1994) e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), persiste um hiato significativo entre os princípios proclamados nos documentos oficiais e as condições concretas de sua materialização nas escolas. Este artigo apresenta os resultados de uma revisão integrativa da literatura, realizada entre novembro de 2025 e março de 2026, com o objetivo de analisar as tensões entre políticas públicas, fundamentos epistemológicos e práticas pedagógicas no âmbito da formação docente inicial e continuada para a educação inclusiva. A partir de uma busca sistemática em bases nacionais e internacionais, foram identificados 252 artigos, dos quais 26 compuseram o corpus final de análise. Os dados foram organizados em quatro categorias temáticas: políticas públicas e marcos normativos; fundamentos epistemológicos da inclusão; formação docente inicial e continuada; e práticas pedagógicas inclusivas. Os resultados evidenciam que as contradições entre a retórica inclusiva e a prática escolar derivam, em grande medida, de uma formação docente ainda estruturada em bases tecnicistas e fragmentadas, incapaz de responder à complexidade epistemológica e pedagógica que a inclusão exige. A discussão aponta para a necessidade de uma reconfiguração curricular nos cursos de licenciatura, bem como de políticas de formação continuada que superem o modelo de capacitação pontual. Conclui-se que a efetivação da educação inclusiva demanda não apenas reformas normativas, mas uma transformação profunda das culturas escolares e das epistemologias que orientam a formação de professores.

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Publicado

2026-04-27

Como Citar

RAMOS, Paulo Roberto et al. EDUCAÇÃO INCLUSIVA NA PRÁTICA: TENSÕES ENTRE POLÍTICAS, EPISTEMOLOGIAS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA FORMAÇÃO DOCENTE CONTEMPORÂNEA . Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, Macapá, Brasil, v. 5, n. 2, p. 1287–1318, 2026. DOI: 10.36557/2674-9432.2026v5n2p1287-1318. Disponível em: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/915. Acesso em: 27 abr. 2026.

Edição

Seção

Educação, Ensino e Literatura