UMA LEITURA DO PARADIGMA DA (NÃO) FORMAÇÃO DE BACHARÉIS EM ECONOMIA PARA A DOCÊNCIA NAS CIÊNCIAS ECONÔMICAS E OS RECLAMES INTERNACIONAIS POR MUDANÇAS NO ENSINO DE ECONOMIA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n2p1190-1212Palavras-chave:
Pluralismo Econômico, Ensino de Economia, Metodologia/Didática, Interdisciplinaridade, Crise EconômicaResumo
O trabalho analisa a identidade do docente de Economia e a problemática da ausência de uma formação específica para o exercício da docência nos cursos de bacharelado em Ciências Econômicas. A pesquisa investiga o distanciamento entre o ensino acadêmico e a realidade social, evidenciado por um excessivo tecnicismo matemático e pelo uso do "economês", que criam barreiras de compreensão para o cidadão comum e resultam em uma queda no interesse acadêmico pela área no Brasil. O objetivo geral é analisar o paradigma da formação docente e os movimentos internacionais que clamam por um ensino econômico mais pluralista, como o Rethinking Economics e o ISIPE. Estruturalmente, o estudo mapeia a legislação brasileira e as competências exigidas do economista, discutindo como estas se relacionam com a atividade de ensino. No referencial teórico, aborda-se a evolução histórica do ensino de economia e finanças, destacando a transição de um ensino prático ministrado por homens de negócios para um modelo acadêmico focado em modelos abstratos e racionais. Os resultados apontam que o monolitismo teórico da corrente neoclássica marginaliza perspectivas heterodoxas e impede uma formação completa. Conclui-se que a crise no ensino de economia é também uma crise de diversidade intelectual, sendo o pluralismo teórico, metodológico e interdisciplinar essencial para que a disciplina volte a servir à sociedade e ao debate democrático.
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